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Pai vende a filha de 5 anos para pagar dívida

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“Se eu tivesse dinheiro, jamais teria tomado essa decisão”, afirmou Saeed sobre a filha. “Mas então pensei: e se ela morresse sem a cirurgia?”, completou

A grave crise humanitária no Afeganistão tem levado famílias a decisões extremas. Sem dinheiro para custear uma cirurgia que poderia salvar a vida da filha de 5 anos, o afegão Saeed Ahmad afirma ter concordado em entregá-la a um parente em troca de cerca de R$ 17 mil. O valor foi usado para pagar o tratamento médico da menina, que sofria de apendicite e um cisto no fígado. Segundo o relato do pai, a criança precisou passar por uma cirurgia urgente, mas a família não tinha condições financeiras para arcar com os custos. “Eu não tinha dinheiro para pagar as despesas médicas. Então vendi minha filha para um parente”, contou. A operação foi realizada com sucesso após o pagamento. Em troca, Saeed aceitou que a filha deixará a família dentro de cinco anos para se casar com um dos filhos do parente que financiou o tratamento. “Se eu tivesse aceitado o valor inteiro naquele momento, ele a teria levado imediatamente. Então eu disse: me dê apenas o suficiente agora para o tratamento dela, e nos próximos cinco anos você pode pagar o restante. Depois disso, poderá levá-la. Ela se tornará nora dele”, explicou. O caso reflete uma realidade cada vez mais comum em algumas regiões do Afeganistão, onde a pobreza extrema, o desemprego e a redução da ajuda internacional têm agravado a situação de milhares de famílias. A preferência pela entrega de meninas está ligada a fatores culturais e econômicos. Em muitas regiões do Afeganistão, os meninos são vistos como futuros provedores da família, enquanto casamentos infantis ainda envolvem acordos financeiros entre as famílias. A situação também se agravou após as restrições impostas pelo Talibã à educação e ao trabalho de mulheres e meninas. Além disso, organizações humanitárias alertam que os cortes na ajuda internacional reduziram drasticamente o apoio alimentar que milhões de afegãos recebiam até poucos anos atrás. Segundo dados da ONU citados na reportagem, a ajuda destinada ao Afeganistão neste ano é cerca de 70% menor do que a registrada anteriormente, enquanto uma severa seca continua afetando grande parte do país. “Se eu tivesse dinheiro, jamais teria tomado essa decisão”, afirmou Saeed sobre a filha. “Mas então pensei: e se ela morresse sem a cirurgia?”, completou. O pai reconhece o sofrimento causado pela escolha, mas diz que viu no acordo a única forma de garantir que a menina sobrevivesse.

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