Ator Lima Duarte recebe Troféu Especial de 75 anos da TV Brasileira durante o prêmio APCA – Foto: @OFFPortaldeCultura via YouTube
A frase gerou incômodo e foi interpretada por algumas pessoas presentes como sendo de teor racista, e não um comentário de autoanálise
Logo no início da premiação, Lima Duarte subiu ao palco para receber o Troféu Especial 75 Anos da TV Brasileira. O ator se estendeu longamente contando histórias que foram da chegada da TV ao Brasil por Assis Chateaubriand ao impacto da Segunda Guerra Mundial na circulação de notícias no País. Ele também recordou sua infância, lendo notícias de jornal para o avô, e falou sobre quando chegou a São Paulo. Lima Duarte nasceu em Sacramento, no interior de Minas Gerais, em 1930. Duarte relatou ter chegado a São Paulo de carona em um caminhão que transportava mangas, e de ajudar no descarregamento no Mercadão. Então, falou de quando um colega o convidou a ir a uma zona de prostituição.
Prostituição
“Eu falei: ‘O que é zona?’ Ele falou: ‘É mulher (…) Tem duas ruas em São Paulo, Aimorés e Itaboca’. Ele falou: ‘Na Aimorés, a mulher é cinco mil-réis. Na Itaboca, é três’. Falei: ‘Vamos na Itaboca’. Ele falou: ‘Só tem preta’. Eu não fui. Moleque de rua, dormia embaixo do caminhão, não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisas eu fui percebendo ao longo dessa vida.” A frase gerou incômodo e foi interpretada por algumas pessoas presentes como sendo de teor racista, e não um comentário de autoanálise. Ao Estadão, Lima Duarte disse, por meio de sua assessoria, que sua fala foi um retrato do tempo e uma forma de protesto. “Eu contei uma memória da minha infância, de um Brasil muito duro, de um menino sem formação, vivendo na rua. Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos”, afirma.




