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Lula vai apresentar dados que contrariam as informações do relatório e aproveitar o tema para desmentir as narrativas levadas pelo clã Bolsonaro, via aliados de Trump, à Casa Branca
O presidente Lula embarcou às 13 horas desta quarta-feira (6/5) para os EUA onde se reúne com Donald Trump na Casa Branca nesta quinta-feira (7/5) com pauta que vai da Guerra ao Irã às terras raras, passando por uma cooperação na área de segurança e o fim da guerra comercial dos EUA contra o Brasil. Vice, Geraldo Alckmin (PSB) acompanhou Lula até o embarque e assumiu a Presidência até o retorno, previsto para logo após o encontro. Lula viajou acompanhado do chanceler Mauro Vieira e dos ministros Wellington César Lima e Silva (Justiça), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio), Alexandre Silveira (Energia), além do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos. Após a “química” entre os dois presidente na Assembleia-Geral da ONU, essa deve ser a primeira reunião efetiva para discutir assuntos em comum dos dois países. Lula e Trump também se encontraram em outubro passado durante a 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia, para selar a aproximação.
Pix e a Guerra Comercial
O principal tema da pauta, por parte do Brasil, deve ser o encerramento da guerra comercial desencadeada por Trump contra o Brasil. Após a “bolsotaxa”, tarifaço contra o Brasil que ocorreu por ingerência de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), os EUA produzem um relatório, que deve ser concluído em julho, que pode resultar em sanções contra o Brasil principalmente devido a questões envolvendo o Pix, a produção de etanol e o desmatamento ilegal. Entre os pontos mais críticos no relatório estão o sistema de pagamentos Pix e as tarifas sobre o etanol. O governo dos EUA vê o Pix como uma forma de favorecer empresas brasileiras, criando um ambiente competitivo desfavorável para gigantes como Visa e Mastercard. Já o etanol tem sido um outro obstáculo: com as tarifas elevadas, o Brasil reduziu drasticamente as importações de etanol dos EUA, com as exportações caindo de US$ 761 milhões em 2018 para US$ 54 milhões em 2024. Lula vai apresentar dados que contrariam as informações do relatório e aproveitar o tema para desmentir as narrativas levadas pelo clã Bolsonaro, via aliados de Trump, à Casa Branca. Dessa forma, Lula pode arrancar de Trump o compromisso de não interferência nas eleições brasileiras.
Terras raras e “terrorismo”
Lula ainda deve ouvir de Trump quais são as intenções dos EUA em relação à exploração das terras raras no Brasil. Os EUA já controlaram parte das jazidas e tem criticado a aproximação do Brasil em relação à China sobre o assunto. O presidente brasileiro deve ressaltar a questão da soberania sobre a exploração dos minerais, essenciais para a transição energética, e dar início a uma possível negociação para parceria com os EUA. O tema soberania também deve ser colocado na mesa por Lula em relação à proposta de Trump de classificar as facções criminosas, como Comando Vermelho e PCC, como terroristas. O governo brasileiro vai afirmar que não aceita a classificação, mas deve propor uma parceria com os EUA para combate ao crime organizado transnacional. Lula deve propor parceria para que os EUA ajudem na fiscalização aduaneira para detectar envio de drogas por facções brasileiras. Mas, vai propor um contraponto: que os EUA tratem de barrar o tráficode armamentos, especialmente de fuzis, que têm como destino as facções brasileiras.
Guerra no Irã
Programado para acontecer em março, o encontro foi adiado devido ao desencadeamento da guerra de EUA e Israel contra o Irã, tema que também deve ser colocado à mesa pelo governo brasileiro. Lula pedirá a Trump o fim do conflito e deve oferecer ajuda brasileira para mediar as conversas com o Irã.




