Divulgação
A aprovação na Câmara de Goiânia de uma comenda em homenagem ao extremista norte-americano Charlie Kirk é uma profunda afronta ao povo goianiense e à própria função do Poder Legislativo municipal
p/ Gilson Romanelli-Jornalista e Analista Político
Proposta pelo vereador Igor Franco (Podemos) e aprovada em primeira votação pelos parlamentares da capital, a matéria prevê a criação de uma honraria destinada a celebrar pautas conservadoras usando a figura de uma personalidade estrangeira. A decisão é inaceitável sob qualquer perspectiva: destina a representatividade pública municipal para a exaltação de um indivíduo marcado pela propagação sistemática do ódio, da intolerância e do preconceito.
Uma Afronta às Identidades Goianas e Brasileiras
Com tantas personalidades goianas e brasileiras dignas de se tornarem comendas — mulheres e homens que dedicaram suas vidas à cultura, à ciência, aos direitos humanos e ao desenvolvimento social de Goiânia e de Goiás —, vem um vereador querer homenagear um estrangeiro que em sua vida somente fez disseminar o ódio e a intolerância. A atuação de Charlie Kirk nos Estados Unidos não deixou legados positivos ou contribuições à sociedade goianiense. Pelo contrário, sua trajetória foi pautada por:
Discursos Preconceituosos: Manifestações depreciativas e ofensivas contra a população negra, mulheres e a comunidade LGBTQIA+.
Ataques a Conquistas Históricas: Questionamento público da Lei dos Direitos Civis de 1964, marco fundamental no combate à segregação racial nos Estados Unidos.
Negacionismo e Desinformação: Defesa ostensiva de pautas antivacina e negação da gravidade da pandemia de Covid-19, postura que custou milhares de vidas globalmente. Incentivar e oficializar o nome de uma figura com tal histórico em uma distinção municipal destoa por completo dos valores democráticos e do respeito à diversidade que devem reger a capital de Goiás.
Conivência Parlamentar e a Necessidade de Retratação
A tramitação da proposta avança na Casa com o aval de parlamentares que preferiram a conveniência ideológica em detrimento do compromisso com a história local. Com exceção das vozes firmes dos vereadores Fabrício Rosa (PT) e Aava Santiago (PSB) no plenário, e de Kátia Maria (PT) na CCJR, a maioria do Legislativo optou por silenciar e aprovar essa medida absurda. “Uma comenda municipal deve servir para valorizar quem constrói a história da nossa cidade, fortalece os laços comunitários e promove o bem-estar coletivo”. Usar a estrutura da Câmara Municipal para importar pautas de extrema direita e conceder até 50 homenagens anuais sob o nome de um extremista estrangeiro apequena a função do vereador perante a sociedade. Espero que os vereadores que votaram a favor na primeira votação revejam seus votos e não aprovem tamanha afronta para nossa capital. Goiânia exige e merece respeito à sua história, às suas lideranças e ao seu povo.
Gilson Romanelli-Jornalista e Analista Político




