Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participa da abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, Brasil, em 4 de março de 2026 – REUTERS/Adriano Machado
Em discurso na ONU, Lula falará sobre risco de interferência externa na eleição e defenderá soberania
p/ Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA, 21 Set (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva interromperá por 48 horas sua campanha eleitoral nesta semana para fazer o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York (EUA) nesta segunda-feira, mas mandará recados que irão falar diretamente à eleição brasileira. Apesar de centrar seu discurso em temas internacionais, Lula também incluirá na sua fala a defesa da soberania do país e uma condenação às tentativas de interferência externa no pleito brasileiro, de acordo com um de seus assessores próximos. Lula será seguido na tribuna da ONU pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que no ano passado impôs tarifas a produtos brasileiros alegando ser uma resposta ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Discurso
O discurso, segundo essa fonte, não terá menções diretas a países ou autoridades, mas não deixará de abordar um dos temas que mais tem preocupado a campanha petista: uma possível intromissão norte-americana em favor do principal candidato de oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O recado será dado de forma “polida, mas firme”, afirmou a fonte. Apesar de Trump não ter pessoalmente se manifestado sobre a eleição brasileira, o presidente norte-americano recebeu Flávio na Casa Branca, e alguns dos seus auxiliares foram menos discretos sobre a preferência pelo senador no pleito de outubro. Houve tentativas de enviar representantes do Departamento de Estado para discutir as eleições brasileiras e ter encontros com o filho de Bolsonaro, além de declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, contra Lula. Apesar da preocupação com a interferência norte-americana, a campanha do petista aposta no relacionamento que Lula desenvolveu com Trump — iniciado em uma conversa casual de 30 segundos ao se cruzarem nos corredores da ONU no ano passado para frear qualquer medida mais concreta.
Relação
“O relacionamento deles pode deixar mais difícil, ou mais constrangedor, para Trump se manifestar publicamente contra a reeleição do presidente ou contra o resultado, se Lula vencer”, disse a fonte. Este ano, não houve negociação para que os dois presidentes tenham um encontro durante os dois dias que Lula ficará em Nova York (EUA mas o Palácio do Planalto acredita que uma conversa rápida deve acontecer novamente. Dessa vez, sem necessidade de uma negociação prévia, como aconteceu em 2025. Segundo a fonte, no ano passado foi necessária uma consulta prévia dada à dificuldade de relação entre os dois governos. Dois meses antes, Trump havia anunciado tarifas de 50% para os produtos brasileiros importados pelos EUA, usando como justificativa uma suposta perseguição a Bolsonaro.
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