Foto: Reprodução/Facebook
Post cortou trecho de fala em Moraes durante julgamento para sugerir que ele disse que votos são contados no TSE em uma “sala escura”
O que estão compartilhando: que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes disse que “quem tirou Lula da cadeia, quem o tornou elegível é que vai contar os votos no TSE, na sala escura”. O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A fala não é uma declaração do próprio ministro, mas sim uma frase do ex-presidente Jair Bolsonaro lida por Moraes, em tom de crítica, durante o julgamento da trama golpista, em setembro do ano passado. O mesmo trecho já tinha sido citado por Moraes na decisão que abriu uma investigação contra Bolsonaro por ataques ao sistema eleitoral, em agosto de 2021. O autor do vídeo foi procurado, mas não respondeu até a publicação deste texto.
Moraes leu trecho para criticar ataque às urnas
A alegação de que o TSE contataria votos em uma “sala escura” foi feita por Bolsonaro em uma das lives que ele costumava fazer quando era presidente. Neste caso específico, a live ocorreu em 29 de julho de 2021. No dia 4 de agosto daquele ano, o STF determinou a abertura de uma investigação contra o então presidente para apurar os ataques ao sistema eleitoral brasileiro. O pedido de investigação tinha sido encaminhado ao STF pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No despacho de Moraes, há um link para a live – que não está mais disponível – e transcrições de alguns dos trechos da transmissão. Na decisão, Moraes afirma que o então presidente “se posicionou de forma, em tese, criminosa e atentatória às instituições”. De acordo com a decisão, Bolsonaro afirma: “Repito: quem tirou o Lula da cadeia? Quem o tornou elegível? É quem vai contar os votos lá no TSE na sala escura”. Este mesmo trecho foi lido por Moraes quatro anos depois, no julgamento de Bolsonaro e dos demais membros do núcleo 1 da trama golpista.
Durante seu voto, Moraes fez referência à live e reproduziu o mesmo trecho da transcrição:
O vídeo usado no post viral foi cortado de modo a não mostrar o que o ministro fala em seguida. Ele explica que ele próprio, enquanto presidente do TSE, a ministra Cármen Lúcia e outros presidentes do tribunal abriram as urnas para que os partidos, a Polícia Federal e universidades tentassem acessar o sistema e hackeá-lo, mas que ninguém nunca conseguiu fazê-lo.




