p/ Gilson Romanelli
A entrevista de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional evidenciou a completa ausência de um plano de governo consistente, expondo um candidato despreparado que se ancorou em retórica evasiva, dogmas e ataques vazios. Sob a condução firme da jornalista Renata Lo Prete, a máscara de qualificação do pré-candidato veio ao chão. O que se viu no horário nobre foi a tentativa de vender uma revolução socioeconômica sustentada não por números ou viabilidade técnica, mas pela promessa do primeiro governo financiado pela Providência Divina.
A Ciência Econômica do “Deus Proverá”
Flávio Bolsonaro prometeu consertar o Brasil em quatro anos. Quando questionado sobre a origem dos recursos para cumprir tais promessas, limitou-se a acenar com o combate à corrupção.
Sem estimativa de receita: Não soube mensurar valores reais para o orçamento.
Sem planilha de despesas: Não explicou como financiará as propostas de campanha.
Equilíbrio fiscal por fé: Apresentou uma inovação exótica à ciência econômica: a gestão pública por imposição das mãos.
Anunciou que seu governo será “um projeto de Deus”. O texto bíblico ensina que o mundo foi criado em seis dias; Flávio parece necessitar de quatro anos para consertar o país — restando apenas saber se o Criador aceitaria o convite para assumir o Ministério da Fazenda sob essas condições.
Evasivas e a Cortina de Fumaça
Diante de questionamentos inconvenientemente terrenos, a fragilidade do discurso ficou ainda mais evidente. Ao ser confrontado sobre o porquê de ter recorrido justamente ao empresário Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, a resposta seguiu a linha do desvio de foco: alegou que a produtora já explicara o caso e rebateu apontando patrocínios recebidos pela própria emissora. Perguntado sobre Vorcaro, respondeu sobre a imprensa. Cobrado por transparência, ofereceu uma cortina de fumaça, ignorando as investigações em curso sobre os milhões repassados à produção.
A Ausência de Projeto
O roteiro do pré-candidato ao longo de sabatina resumiu-se a um padrão repetitivo:
Para gastar: Promessas genéricas.
Para arrecadar: Milagres e retórica.
Para justificar suspeitas: Ataques à imprensa e terceirização de responsabilidades.
Para responder aos problemas do país: Menções obsessivas ao presidente Lula, sem apresentar alternativas concretas. “O Brasil precisa de gestão pública qualificada, responsabilidade fiscal e projetos fundamentados, não de contabilidade criativa ou dogmática. Por mais que existam divergências e debates legítimos sobre o cenário político atual, a comparação escancara que o país segue em um rumo substancialmente mais seguro e concreto sob a condução do presidente Lula do que sob a tutela de ilusões orçamentárias.” A farsa não tinha como durar: a aritmética não fecha e até onde se sabe, Deus não assinou procuração para governar um país.
Gilson Romanelli ´e Jornalista e Analista Político





