Allan e Ágatha passaram noite na palhoça semidestruída – Foto / Crédito: Thamírys Andrade/SSP-MA Buscas ultrapassam os 20 dias. Crianças desapareceram depois de saírem para brincar. A polícia investiga o caso A Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCSP) confirmou que investiga uma denúncia de que os irmãos Ágata Isabelle, 6 anos, e Allan Michael, 4, desaparecidos no povoado de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão, foram vistos na capital Paulista. Ao Correio, a Secretaria de Segurança Pública (SSP/SP) informou que a denúncia detalha que as duas crianças teriam sido vistas por volta das 18 horas desse sábado (24/1), em um hotel no bairro da República, no centro da capital. “A Polícia Civil maranhense já foi notificada sobre o caso e diligências estão em andamento para o esclarecimento dos fatos”, frisou a pasta. Ausência de vestígiosEm coletiva de imprensa na tarde de quinta-feira (22/1), o tenente-coronel João Carlos Duque, comandante do 24º Batalhão de Infantaria de Selva (24º BIS), informou que uma força-tarefa percorreu mais de 200km a pé e por embarcação no entorno da comunidade, incluindo regiões de difícil acesso. Segundo o militar, as equipes do Exército atuaram em locais onde voluntários e moradores não conseguiam chegar, como áreas de mata fechada, terrenos alagadiços e trechos isolados. “Fomos a pontos de difícil acesso, locais que voluntários não conseguiam acessar. Isso nos dá a garantia de que essas áreas foram varridas e, ao mesmo tempo, a esperança de que as crianças não estejam nesses locais”, afirmou. De acordo com Duque, dentro da perspectiva técnica, um ser humano consegue sobreviver em ambiente hostil, com pouca água e sem alimentação adequada, por um período estimado entre oito e doze dias. “Já ultrapassamos essa linha. O fato de não termos encontrado vestígios, pegadas ou qualquer elemento que levasse à localização das crianças nesse terreno amplia a possibilidade de que elas estejam em outro lugar”, explicou. Com o avanço das buscas e o esgotamento das áreas inicialmente priorizadas, o Exército informou que manterá equipes especializadas em rastreamento de prontidão. A estratégia prevê resposta imediata caso surja qualquer nova informação envolvendo locais de difícil acesso. “Vamos manter especialistas, o uso de drones e o contato permanente com São Luís, para que qualquer dado novo seja checado rapidamente”, disse o comandante. As buscas seguem integradas com outros órgãos de segurança e salvamento, enquanto a investigação sobre o desaparecimento das crianças continua em andamento. “Empregamos todos os meios disponíveis”, diz secretário. O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, afirmou que, desde o primeiro dia, a Polícia Militar de Bacabal esteve no local e, de forma progressiva, recebeu reforços da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Força Estadual Integrada, Exército e Marinha. De acordo com o secretário, a operação mobilizou até 260 policiais em um único momento e contou com o apoio de aeronaves, cães farejadores, drones e equipamentos de imagem em vídeo 3D. Também participaram das buscas unidades especializadas, como os canis da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, além de reforços vindos dos estados do Pará e do Ceará. “Chegamos a ter mais de mil homens espalhados nessa mata em busca das crianças”, disse. Maurício Martins ressaltou que nenhum integrante das equipes sofreu ferimentos graves durante a operação e que todos os profissionais envolvidos passam bem. Segundo ele, os esforços se concentraram tanto em buscas terrestres quanto aquáticas, com atuação da Marinha no rio Mearim, utilizando equipamentos capazes de fazer varreduras subaquáticas. “Infelizmente, não localizamos as duas crianças até o momento, mas a missão continua”, afirmou. O secretário destacou ainda que, paralelamente às buscas, a Secretaria de Segurança Pública instaurou uma comissão especial para conduzir a investigação sobre o desaparecimento. O grupo é formado por dois delegados de São Luís e pela delegada de Bacabal. “Desde o início, as buscas e a investigação caminham juntas. Mantemos o mesmo propósito e não perdemos a esperança, confiando no trabalho técnico da segurança pública”, concluiu.
Irmãos desaparecidos no Maranhão teriam sido vistos em hotel de SP
Manifestantes são carregados após raio cair em ato de Nikolas no DF
Reprodução / @aguaquentedf Até o momento, o CBMDF contabiliza 72 pessoas atendidas no local. Dentre elas, 42 estavam estáveis, conscientes e orientadas Após o temporal durante a “Caminhada pela Liberdade”, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um raio caiu sobre um guindaste na Praça do Cruzeiro e atingiu dezenas de pessoas na tarde deste domingo (25/1). O episódio provocou momentos de pânico entre os patriotas. Ao todo, mais de 30 pessoas ficaram feridas, conforme apurou a coluna Grande Angular. Destas, 20 deram entrada no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) e 11 foram encaminhadas ao Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Segundo informações obtidas pelo Metrópoles, todas estão em estado estável. Vídeos enviados à página Ceilândia Muita Treta mostram algumas das vítimas chegando às unidades de saúde. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), a corporação foi acionada por volta das 12h50 para atender a uma ocorrência com múltiplas vítimas causada por uma descarga atmosférica na região. Até o momento, o CBMDF contabiliza 72 pessoas atendidas no local. Dentre elas, 42 estavam estáveis, conscientes e orientadas. Outras 30 vítimas foram transportadas para o HBDF e o HRAN, sendo que oito apresentavam condições instáveis. As equipes de resgate realizaram triagem, atendimento pré-hospitalar e transporte, seguindo os protocolos operacionais da corporação. Entenda o casoA corrente elétrica desceu pelo equipamento e atingiu pessoas que participavam do ato final da “Caminhada pela Liberdade”, liderada pelo deputado federal Nikolas. Três pessoas levadas ao Hran e duas ao Base foram encaminhadas à sala vermelha por demandarem maiores cuidados da equipe médica. Não houve nenhum óbito.
Caiado é eleito “Político da Segurança Pública”
Governador obteve mais de 70% dos votos na categoria, em premiação que destaca desempenho em diversas áreas da administração pública foto: Secom / Governo de Goiás O governador de Goiás Ronaldo Caiado (UB), foi consagrado como “Político da Segurança Pública” durante a 16ª edição do Prêmio dos Mais Influentes da Política em Goiás, referente ao ano de 2026. O resultado foi divulgado na última sexta-feira (23/1) por meio das redes sociais da organização do evento. A premiação, promovida pelo Instituto Contato Comunicação, destacou o desempenho do governador na área, com Caiado obtendo mais de 70% dos votos populares direcionados à sua categoria. O Instituto Contato Comunicação foi fundada no dia 9 de agosto de 1986. É a mais antiga e experiente agência de comunicação de Goiás O índice expressivo reflete o reconhecimento público às políticas de segurança implementadas pelo Estado nos últimos anos. Em sua trajetória à frente do Executivo estadual, Caiado tem enfatizado ações de combate ao crime, modernização das forças de segurança, investimentos em inteligência policial e maior integração entre os órgãos, estratégias frequentemente citadas como responsáveis por reduções em índices de criminalidade violenta. Além da segurança pública, a premiação contemplou políticos que se destacaram em outras frentes essenciais da administração. Foram concedidos troféus nas categorias de Saúde, Cultura, Turismo e Educação, reconhecendo o trabalho de parlamentares e gestores que obtiveram visibilidade e impacto positivo em suas respectivas áreas de atuação ao longo do ano. O Prêmio dos Mais Influentes da Política em Goiás consolida-se como um termômetro do cenário político estadual, reunindo anualmente nomes que, por meio de votações populares e análise de especialistas, são apontados como referências em seus setores. A vitória de Caiado na categoria de Segurança Pública ocorre em um ano decisivo, marcado pelo fim de seu segundo mandato e pela intensificação do debate sobre seu legado na administração goiana. A cerimônia de entrega dos troféus está prevista para ocorrer nas próximas semanas, em evento que reunirá os premiados, autoridades e representantes da sociedade civil organizada.
Motoristas podem recorrer de multas de forma online pelo site do Detran – Tocantins
Trânsito em avenida no centro de Palmas, Tocantins — Foto: Lia Mara/Prefeitura de Palmas Donos de veículos também poderão solicitar defesa de autuação de forma online Agora, motoristas tocantinenses podem recorrer a multas de trânsito pela internet. O Departamento Estadual de Trânsito Tocantins (Detran – TO) disponibilizou serviços online para facilitar o acesso dos proprietários de veículos. Os serviços de recurso contra penalidade de multa de trânsito e de solicitação de defesa de autuação estão disponíveis no portal do Detran – TO. De acordo com o Detran, para recorrer da multa, o motorista pode consultar as infrações registradas pela internet. Pessoas físicas, jurídicas ou representantes legais do veículo podem apresentar recurso dentro do prazo indicado na notificação. Como acessarPara ter acesso ao recurso de multas on-line, o condutor deve realizar um cadastro na plataforma onde o serviço é disponibilizado. O usuário deve ler os termos e as condições e depois clicar em “aceito”. Em seguida, é necessário que o motorista informe os dados pessoais, como comprovantes de endereço, telefone e e-mail para contato, além de criar uma senha para acesso. Após isso, o motorista pode dar início aos procedimentos de recursos de multas. Motoristas podem recorrer de multas pela internet — Foto: Félix Carneiro/Governo do Tocantins O Departamento ainda destaca que, tanto nos serviços para a defesa prévia, que ocorre na fase de autuação, quanto para o recurso apresentado na fase da penalidade da multa, o condutor deve anexar os seguintes documentos na plataforma: Cópia do documento do veículo, Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo Eletrônico (CRLV-e);Cópia da Carteira Nacional de Habilitação (CNH);Comprovante de residência;Cópia da notificação da multa;Requerimento para apresentação de defesa e recurso, devidamente preenchido e assinado.Na defesa prévia, o condutor tem o prazo de até 30 dias para apresentação da defesa e para apresentação do recurso na fase de penalidade. Após anexados os documentos na plataforma, o condutor passa a ser informado por e-mail do andamento dos julgamentos na fase de defesa prévia e na fase de recursos. O Detran ainda lembra que realiza o julgamento de infrações aplicadas pelos agentes de trânsito do Departamento de Trânsito e da Polícia Militar do Tocantins (PMTO). Essas infrações podem ser identificadas pelo código 128 100, informado no próprio documento da multa. Qualquer outro código, cabe ao condutor procurar os referidos órgãos, que podem ser identificados pelos números: 128 200 – Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura do Tocantins (Ageto);297 330 – Secretaria Municipal de Segurança e Mobilidade Urbana (SESMU) – Prefeitura de Palmas;000 100 – Polícia Rodoviária Federal (PRF);000 400 – Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT);292 410 – Agência de Segurança, Transporte e Trânsito (ASTT) – Prefeitura de Araguaína;292 410 – Agência Municipal de Trânsito e Transportes (AMTT) – Prefeitura de Gurupi;000 300 – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT). Autuação e penalidadeQuando o condutor comete uma infração, ele é notificado e a multa fica em autuação, ou seja, não é gerada a taxa da infração nem os pontos na CNH. Ou seja, a fase da autuação é para informar o condutor de que foi registrada uma infração, para que tenha conhecimento e, assim, possa garantir que recorra e realize a defesa dentro do prazo. Caso passe dos 30 dias e o condutor não recorrer, ou se a defesa prévia for indeferida, a infração irá para a fase de penalidade. Logo depois, será gerada a taxa da multa e os pontos vão para a carteira de habilitação. Na penalidade, o recurso apresentado será julgado pela Junta Administrativa de Recurso de Infrações (Jari).
Governo de Goiás firma parceria para fortalecer ambiente de negócios nos municípios goianos
Ampliação da Lei de Liberdade Econômica reduz entraves para abertura e funcionamento de empresas nos municípios goianos – Fotos: Cristiano Borges Acordo com o Instituto Liberdade e Liderança (Ilisp) busca ampliar a adoção da Lei de Liberdade Econômica nos municípios e reduzir entraves para abertura e funcionamento de empresas O Governo de Goiás firmou um Acordo de Cooperação com o Instituto Liberdade e Liderança (Ilisp) com o objetivo de ampliar a implantação ou atualização da Lei de Liberdade Econômica (LLE) nos municípios goianos, em âmbito local. A iniciativa envolve a Secretaria-Geral de Governo (SGG) e o Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Pública (IMB) e tem como objetivo acelerar a desburocratização, fortalecer o ambiente de negócios e estimular o empreendedorismo nos municípios. O acordo incentiva as administrações municipais a adotarem a legislação estadual de Liberdade Econômica, especialmente a Lei nº 22.612/2024 e o Decreto nº 10.500/2024. A norma estadual dispensa 962 atividades econômicas da exigência de alvará, posicionando Goiás como uma das referências nacionais em simplificação regulatória. Segundo o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, a parceria reforça a estratégia do Estado de levar os benefícios da liberdade econômica também para a realidade municipal. “O Governo de Goiás avançou de forma consistente na redução da burocracia e na criação de um ambiente mais favorável aos negócios. Agora, o desafio é apoiar os municípios para que essa política chegue à ponta, facilitando a vida de quem empreende, gera empregos e movimenta a economia local”, destacou o secretário. Fotos: Cristiano Borges O Ilisp atuou de forma técnica junto ao Governo de Goiás desde as etapas iniciais da formulação da legislação, contribuindo para a elaboração da lei estadual e do decreto que define atividades de baixo risco. O trabalho conjunto resultou em um marco regulatório que amplia a segurança jurídica, reduz entraves burocráticos e estimula a atividade empresarial. Estudo elaborado pelo IMB aponta que, em Goiás, municípios que adotaram a Lei de Liberdade Econômica registraram, em média, aumento de 30% na abertura de empresas. A análise também indica redução de até 70% no tempo necessário para abertura de novos negócios, com impactos diretos na geração de emprego e renda. Parceria A parceria prevê orientação institucional, apoio técnico e assessoria jurídica para elaboração ou revisão de leis e decretos municipais, além da análise da legislação local já existente. Também está prevista a atuação conjunta com associações e entidades empresariais, com foco na conscientização do setor produtivo e no acompanhamento da implementação das normas. O acordo tem vigência até 31 de dezembro de 2026 e estabelece metas indicativas, como a mobilização de ao menos 100 municípios, apoio técnico a 60 prefeituras e a edição de normas locais alinhadas à política estadual por pelo menos 50 municípios. A cooperação possui caráter técnico e institucional, sem repasse de recursos financeiros. A iniciativa reforça o compromisso do Governo de Goiás com a modernização do ambiente regulatório, a valorização da livre iniciativa e a construção de um ambiente de negócios mais simples, eficiente e favorável ao empreendedorismo em todo o estado.
“Congresso corta, Lula repõe! Educação é direito!”, afirma José Dirceu
“Congresso corta, Lula repõe! Educação é direito!”, afirma José Dirceu – Foto: Lula Marques/ Agência Brasil Ex-ministro diz que recomposição não é favor e atribui vitória à pressão popular e estudantil O ex-ministro e ex-presidente nacional do PT José Dirceu afirmou que o governo do presidente Lula recompôs integralmente os recursos do orçamento da educação que haviam sido cortados pelo Congresso Nacional. Em postagem nas redes sociais, José Dirceu destacou o embate político em torno do orçamento da educação e celebrou a decisão do governo federal de restabelecer os recursos destinados às instituições federais de ensino. “Congresso corta, Lula repõe! Educação é direito!”, disse. Segundo Dirceu, o orçamento da educação para 2026 se transformou em um campo de disputa política, e a recomposição anunciada pelo governo não deve ser tratada como um gesto espontâneo do Executivo. “O orçamento da educação de 26 virou uma batalha política e a recomposição de recursos que tanto se comemora hoje não é presente generoso, é resultado da pressão popular e da mobilização estudantil contra os cortes aprovados pelo Congresso Nacional contra o governo Lula”, enfatizou. O ex-ministro explicou que os cortes aprovados pelo Congresso afetaram diretamente o funcionamento das universidades federais. “Quando a Lei Orçamentária Anual foi aprovada pelo Congresso, as universidades federais tiveram R$ 488 milhões cortados, corte de mais de sete por cento dos recursos discricionários que ameaçavam o funcionamento básico até de bolsas, assistência estudantil, pesquisa, extensão”, acrescentou. Dirceu afirmou que os impactos atingiram também os institutos federais e a política de assistência estudantil, com risco direto para estudantes de baixa renda. “Ataque que comprometia diretamente as universidades, os institutos federais e também a assistência estudantil, que perde cerca de R$ 100 milhões, colocando em risco bolsas, moradia e alimentação”, apontou. Na postagem, José Dirceu atribuiu a reversão dos cortes à mobilização social. “Mas a pressão dos estudantes e da sociedade civil conseguiu algo importante”, disse. De acordo com o ex-ministro, o governo federal oficializou a recomposição por meio de uma portaria publicada no Diário Oficial da União. “O governo federal recompôs o orçamento cortado… Uma portaria publicada no Diário Oficial da União destinou R$ 977 milhões para recompor integralmente o orçamento das universidades federais dos institutos, restabelecendo o recurso cortado durante a tramitação do Congresso”, apontou. José Dirceu reforçou a defesa da educação pública e criticou a ideia de que o setor possa ser tratado como despesa secundária. “Educação pública não é gasto supérfluo. Educação pública é investimento no futuro”, afirmou.
Quando os loucos conduzem os cegos
Brasil 247 “Não são apenas os vivos que nos atormentam, os mortos também. Le mort saisit le vif!”. — Karl Marx, Prólogo à primeira edição de O capital p/ Roberto Amaral Nascemos como território aberto: feitoria, praias, água, alimento e sombra para o repouso de corsários de todas as bandeiras; o mundo chegava para a aventura predatória dos séculos seguintes de apropriação da terra dada, a caça à natureza e aos homens, povos nativos preados e, com a Colônia, a escravidão de negros importados para o eito e a morte antecipada. Bem mais tarde emerge, sem animação orgânica, uma ideia de povo em busca de nação, ausente o projeto de colonizador (com o qual não podia arcar a decadência irreversível do império lusitano); historiadores apressados referem-se às lutas travadas por portugueses, africanos escravizados, tropas de brancos pobres e indígenas escravizados como o início da construção de uma nacionalidade, nada obstante a impossibilidade de identificar a mínima consciência de pertencimento comum na expulsão da experiência do príncipe de Nassau (1654), modernizante em face da passividade portuguesa, ainda que não cogitasse de qualquer sorte de mobilidade social, ou da criação de mercado interno. Não havia uma nação a contrapor-se ao sonho holandês na América. Ora, nossa “alma” não conhecia a pátria. Éramos algo como uma malha de feitorias sob a coroa do pequeno Estado português, em trânsito entre o domínio espanhol e o britânico, cuja preeminência nos condicionaria até o fim da Primeira Grande Guerra (1914–1918) e a ascensão dos EUA, que se tornam a unipotência capitalista após a queda do Muro de Berlim e a capitulação da URSS. Continuávamos na periferia, como se cumpríssemos um determinismo que a leitura dialética da História não justifica. Antes, no nascedouro do século XVI, na periferia do mercantilismo do capitalismo nascente, ainda pré-industrial e pré-estatal. Agora, na periferia do capitalismo pós-industrial, sob a égide de um imperialismo Moloch. Em 1627, em sua História do Brasil, o sábio e precursor Frei Vicente de Salvador profligava as limitações estratégicas do português: desapetrechado política e economicamente, pugnava salvar-se mediante a conservação da terra apossada sem luta, e salvá-la por meio de tratados negociados com nações mais poderosas: “Da largura que a terra do Brasil tem para o sertão não trato, porque até agora não houve quem a andasse por negligência dos portugueses, que, sendo grandes conquistadores de terras, não aproveitam delas, mas contentam-se de andar arranhando ao longo do mar como caranguejos”. Vida social, nenhuma. Vida política, tão-só a necessária para assegurar o domínio português: os primeiros agentes do fisco, os primeiros militares, os primeiros fortes de defesa, os primeiros agentes da justiça reinol; os padres e frades catequizando os catecúmenos, desculturalizando o gentio e o negro, matando suas almas; os jesuítas catequizando, educando, aportuguesando e construindo, território afora, suas “repúblicas”, seus aldeamentos, suas “missões”, um modelo de colonização clerical que palmilhou quase todo o país daqueles idos; caminhando desde a Amazônia e o Centro-Oeste ao Rio Grande do Sul, à Argentina e ao Paraguai; chegaram a mobilizar entre 250 e 300 mil guaranis, até a fúria pombalina que os expulsou do Brasil. Nascemos na periferia do mercantilismo do século XVI, do capitalismo nascente, ainda pré-industrial e pré-estatal, e nossos donos de então, pais e mães dos donos de hoje, logo se aclimataram no ócio, pois havia índios preados para o trabalho, africanos às mãos cheias para o eito e a morte antes do tempo. A história oficial consagrou como “heróis da Pátria” os genocidas das Entradas e Bandeiras. Nesse Brasil, onde havia produção, só o escravo trabalhava, o que não explica tudo, mas sugere um campo de reflexão. Darcy Ribeiro lembra a carne e a alma dos indígenas e dos negros que os brancos caçavam para produzir e poder acumular suas riquezas. E madeira, e pedras, e algodão, e mais isso e mais aquilo, tudo o que o mercado europeu requeria, pois aqui, em se plantando (pelo braço escravizado), tudo dava, tudo dá; e logramos plantar cana e produzir açúcar para exportar à Europa, de onde importávamos tudo: manufaturados, ideologia, valores, cultura, visão de mundo, por intermédio dos entrepostos portugueses que nos exploravam como monopólio comercial. O “brasileiro” é o português que vem “fazer a América”, enriquecer e voltar a Portugal para construir igrejas, e será personagem de Camilo Castelo Branco. O proprietário de engenho é um simples feitor muito rico. Não é um empreendedor, não é um pioneiro. É um homem da terra, reacionário, violento, inculto; mas, supunha, falava com Deus; precatado, mantinha em casa uma Capela devotada ao Cristo ou à Imaculada Cinceição onde se casavam os herfeiros com os herdeiros das terras vizinhas. São essas as nossas raízes, as de um Estado classista moderno na sua abjeta concentração de renda e espoliação social; raízes que explicam ainda o mal de origem que intentam negacear: construído aos trancos e barrancos, isento de projeto de ser, desprovido de destino, o Brasil não é, está sendo; algo permanentemente em elaboração, sem bússola, sem azimute, talvez com ponto de partida, mas jamais dispondo de horizonte de chegada: sem régua e sem compasso, manipulado pela dialética das circunstâncias nas quais não ousa intervir. Na transição para o capitalismo, a burguesia que nos coube já não era revolucionária quando aqui desembarcou, e jamais seria nacional, condicionada na modernidade pelos interesses do capitalismo globalizado. Jamais se desapartou de suas origens: cultiva o longo passado colonial e escravagista de seus avoengos. Assim vê o mundo e nele se vê. Essas, as nossas circunstâncias perdurantes. Sem noção de si, carecemos da noção de mundo; sem projeto de ser, não temos porto de chegada. Ficamos com os argonautas, a navegar, porque navegar é preciso. E la nave va, mas não nos salva da alienação: a crise é objetiva, material, concreta e nos fisga no contrapé da irrelevância. Assim, quietos, nos escondemos diante da crise, que é uma crise nossa, presente: ela está no mundo, mas está diretamente na América do Sul e no Brasil. Fruto da formação histórica que acima se tentou resumir, nossa classe dominante,
Liquidação do Will Bank trava contas e gera alerta a clientes de bancos digitais
o presidente da Abradeb, Raimundo Nonato, explicou que valores mantidos em contas pré-pagas não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos JP NEWS Assista ao Fast News completo: Baixe o app Panflix: Inscreva-se no nosso canal: Entre no nosso site: Facebook: Siga no Twitter: Instagram: TikTok: Kwai: #JovemPan #FastNews A liquidação do Will Bank pelo Banco Central deixou cerca de seis milhões de clientes sem conseguir movimentar as contas. Em entrevista ao Jornal da Manhã, o presidente da Abradeb, Raimundo Nonato, explicou que valores mantidos em contas pré-pagas não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos e alertou consumidores sobre a importância de verificar a que conglomerado financeiro pertencem bancos digitais e fintechs. Assista ao Fast News completo: Baixe o app Panflix: Inscreva-se no nosso canal: Entre no nosso site: Facebook: Siga no Twitter: Instagram: TikTok: Kwai: #JovemPan #FastNews
‘Falta vergonha na cara’, diz Lula sobre quem defende dono do Banco Master
Lula criticou envolvidos no escândalo financeiro do Banco Master Ricardo Stuckert / Presidência da República “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos. É o Banco do Brasil é a Caixa Econômica Federal?”, questionou Lula O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (23/01) que muita gente por “falta de vergonha na cara” defende o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A declaração foi durante cerimônia em Maceió, Alagoas, para a entrega de 1.337 moradias do Minha Casa, Minha Vida no município e para celebrar a marca de 2 milhões de contratações do programa desde 2023, meta estabelecida pelo governo para este terceiro mandato de Lula. Sem citar o nome do banqueiro Daniel Vorcaro, foi a primeira vez que Lula se pronunciou sobre o escândalo envolvendo o Banco Master. “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos. É o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica Federal, é o Itaú. Um cidadão que deu um desfalque de quase R$ 40 bilhões nesse país”, afirmou o presidente se referindo aos recursos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que serão usados para pagar os credores. “Então companheiros e tem gente que defende porque também está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara neste país”, completou. Durante a cerimônia, o presidente citou resultados do seu terceiro governo, como a queda na inflação, que em outubro do ano passado atingiu o menor patamar em 27 anos, e o aumento no número de empregos, com 5 milhões com carteira assinada no acumulado desde 2023. Lula disse que 2026 será o ano da comparação e que vai comparar as realizações de seus três anos de governo, com as dos governos dos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro. “Tivemos dois anos de reconstrução, porque encontramos esse país desmantelado”, disse, acrescentando que “esse ano vamos fazer o ano da comparação”. “Vamos comparar cada coisa que fizemos nesses três anos com o governo Temer e o Bolsonaro que, juntos, são quase oito anos de governo. Vamos comparar quem mais cuidou das estradas, quem fez mais estradas, quem mais cuidou da saúde, quem fez mais universidades, mais institutos federais, quem colocou mais estudantes nas universidades”, discursou. Lula alertou que as pessoas devem tomar cuidado com as fake news espalhadas, principalmente nas redes sociais. “A gente sabe que a mentira voa e a verdade anda. Não podemos permitir que a mentira volte a governar”, afirmou. “Não passem mentira para frente, aprendam a distinguir o que é verdade e o que é mentira. Esse país precisa acabar com o ódio e a gente precisa voltar a ter mais fraternidade, amor, a ser mais amigo dos nossos amigos”, concluiu. O presidente fez um apelo para que os homens se envolvam no combate da violência contra as mulheres. Lula lembrou que o número de casos de feminicídio no país é alto e que é preciso enfrentar o problema. “Eu quero dizer para os homens, somos nós homens que temos que ter coragem e dignidade de assumir a defesa da luta contra a violência voltada para as mulheres. Porque quem é violento somos nós. Você não tem histórico de mulher batendo no marido, mas todo dia aparece homem querendo matar a mulher, a namorada” disse. AmbulânciasO presidente Lula também entregou sete ambulâncias para o estado de Alagoas, para a renovação da frota do Samu. Do total de veículos, três serão destinados ao município de Arapiraca, duas para Maceió, uma para União dos Palmares e uma para Penedo. “Quando eu pensei em fazer o programa Brasil Sorridente, eu imaginava exatamente isso, que a gente tivesse um monte de ambulância móvel, que pudesse percorrer os lugares da cidade onde moram as pessoas mais necessitadas, que não podem pagar”, disse Lula. Os veículos irão para os seguintes municípios: Arapiraca; Batalha; Campo Grande; Coqueiro Seco; Estrela de Alagoas; Maribondo; Monteirópolis: Olho D’água do Casado; Olivença; Palmeira dos Índios; Piranhas; Santana do Ipanema; Santana do Mundaú; São José da Tapera; Senador Rui Palmeira; Teotônio Vilela e União dos Palmares. O post ‘Falta vergonha na cara’, diz Lula sobre quem defende dono do Banco Master apareceu primeiro em Opera Mundi.
Alexandre de Moraes autorizou a prisão de Nikolas Ferreira
Nikolas Ferreira e Alexandre de Moraes – Foto: Instagram/STF Moraes autorizou, a prisão de Nikolas Ferreira, deputado federal (PL-MG) e também de apoiadores caso eles se aproximem do local onde Jair Bolsonaro está preso — o complexo conhecido como Papudinha, em Brasília – DF O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, nesta sexta-feira (23/1) a prisão de Nikolas Ferreira, deputado federal (PL-MG), e também de apoiadores caso eles se aproximem do local onde Jair Bolsonaro está preso — o complexo conhecido como Papudinha, em Brasília. A determinação foi cumprida após um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que chamou a atenção das autoridades para o risco institucional e para possíveis distúrbios. Marcha e manifestação programadaNikolas segue em uma “marcha” a pé desde Minas Gerais em direção à capital federal, onde pretende liderar uma manifestação neste domingo (25/1). A mobilização — que ganhou repercussão nas redes e entre apoiadores — tem como tema central “justiça e liberdade”, em defesa do ex-presidente e de condenados do episódio de 8 de Janeiro. A PGR alertou que a proximidade com a Papudinha poderia transformar o ato em um foco de instabilidade. Referência histórica e preocupação das autoridadesAo analisar o pedido, Moraes citou experiências passadas, incluindo episódios em que acampamentos em frente a quartéis do Exército foram associados à tentativa de golpe de Estado em 8 de Janeiro de 2023. Para o ministro, a omissão das autoridades naquele momento serviu de alerta para evitar repetir erros que comprometeram a ordem democrática. Estado democrático e limite às manifestaçõesNa decisão, Moraes reforçou que o direito de reunião e de expressão não é absoluto quando há risco à ordem pública, segurança nacional ou funcionamento das instituições. Assim, a medida preventiva busca garantir que a segurança no entorno da Papuda seja mantida — inclusive com a possibilidade de prisão em flagrante para quem descumprir a proibição de se aproximar da penitenciária onde Bolsonaro está custodiado.














