Beto Barata/PL Campanha faz última ofensiva por acordos e aposta na reaproximação com a imagem de Jair Bolsonaro para mobilizar a militância O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega às últimas horas do prazo para definir alianças para a disputa pelo Palácio do Planalto sem conseguir destravar as negociações com os principais partidos do Centrão. A um dia do fim das convenções partidárias, o senador ainda tenta ampliar a coligação e definir um candidato a vice, mas já admite a possibilidade de disputar a eleição apenas com o apoio do PL. As negociações com Republicanos, Podemos e a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, concentram os esforços da campanha nesta terça-feira (4/8). Sem garantia de apoio dessas legendas, segundo interlocutores, Flávio deve reduzir a agenda pública para se dedicar às conversas com dirigentes partidários. Para tentar convencer os partidos, a campanha também pretende usar como argumento a pesquisa BTG/Nexus divulgada nessa segunda-feira (3/8). O levantamento mostrou uma aproximação entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. Aliados afirmam que o resultado reforça a competitividade da candidatura. Além de apresentar o desempenho nas pesquisas, interlocutores da campanha passaram a defender junto aos partidos de centro que a definição das alianças não pode ficar para um eventual segundo turno. A avaliação do PL é que o apoio durante a campanha terá peso na definição dos espaços em um eventual governo, caso Flávio seja eleito. A dificuldade para formar uma coligação tem impacto direto na estrutura da campanha. Além de fortalecer os palanques estaduais, o apoio de novos partidos amplia o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Levantamento do Metrópoles mostra que, se disputar apenas com o PL, Flávio terá menos tempo de propaganda do que Lula. O presidente ficaria com 5 minutos e 34 segundos por bloco, enquanto o senador teria 4 minutos e 18 segundos. Esse cenário mudaria caso o PL conseguisse atrair partidos como Republicanos e Podemos. Resistência do CentrãoA busca por alianças esbarra na resistência de partidos do Centrão em declarar apoio formal à candidatura de Flávio. Nos últimos meses, essas legendas vêm sinalizando que devem adotar neutralidade na disputa presidencial e deixar os diretórios estaduais livres para firmar acordos locais. A federação União Progressista era uma das principais apostas do PL. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a ser convidada para ser candidata a vice-presidente, mas a possibilidade perdeu força depois que o PP anunciou que não apoiará oficialmente nenhum candidato ao Palácio do Planalto. Outra frente de negociação envolve o Republicanos, partido da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, nome preferido de Flávio para a vice. A legenda marcou a convenção para a manhã desta terça-feira e deve anunciar neutralidade na eleição presidencial. Se isso ocorrer, Daniella ficará fora da chapa. Nessa segunda-feira (3/8), Flávio se reuniu em Brasília com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira. Segundo apurou o Metrópoles, o encontro terminou sem definição sobre uma aliança. Pereira informou que ainda consultaria os diretórios estaduais antes de comunicar a posição do partido. O Podemos também avalia seguir o mesmo caminho e deve definir sua posição até o encerramento das convenções. Corrida por aliançasA campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta desafio para atrair partidos do Centrão em uma aliança.Por trás da estratégia, está o desejo de ampliar a capilaridade da candidatura de Flávio.As legendas, porém, têm sinalizado que devem permanecer distantes da disputa presidencial neste ano.União Brasil e PP eram os partidos mais próximos de uma aliança, mas desdobramentos das investigações do Banco Master fizeram com que a coligação fosse considerada descartada.Flávio ainda busca alianças com Podemos e Republicanos. Os dois partidos também sinalizam que podem ficar neutros na disputa presidencial.Isolado, o senador ainda não conseguiu concluir a formação de sua chapa e pode acabar disputando o Planalto em chapa inteiramente formada pelo PL.Diante das dificuldades, o PL passou a considerar uma chapa formada apenas por integrantes do partido. Nesse cenário, o senador Rogério Marinho (PL-RN) e as deputadas federais Júlia Zanatta (PL-SC) e Priscila Costa (PL-CE) aparecem entre os nomes cotados para a vice. Apesar disso, a prioridade da direção do PL continua sendo fechar uma aliança. O partido ainda pode recorrer à regra eleitoral que permite às legendas delegarem à executiva nacional as decisões sobre coligações e indicações de candidatos, o que possibilita concluir a composição da chapa posteriormente, desde que sejam respeitados os prazos para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. Mobilização da base bolsonaristaEnquanto tenta romper o isolamento político, Flávio passou a reforçar a identificação com o eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas últimas semanas, o senador intensificou a presença nas redes sociais, retomou críticas a adversários e voltou a defender pautas associadas ao bolsonarismo. Também passou a reproduzir estratégias usadas pelo pai, como as transmissões ao vivo nas noites de quinta-feira, formato que Jair Bolsonaro manteve durante o período em que ocupou a Presidência. Flávio também voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmar que sofre perseguição e recuperar temas que marcaram o discurso do ex-presidente. Recentemente, por exemplo, voltou a levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas. As mudanças ocorrem em meio à avaliação de membros da campanha de que a estratégia adotada durante parte da pré-campanha, de apresentar um perfil mais moderado, não produziu o resultado esperado. Segundo aliados, a postura enfraqueceu a identificação com parte da militância bolsonarista e também não ajudou a destravar as negociações com partidos do Centrão. Na tentativa de reorganizar a comunicação, o PL trocou o comando da área. O publicitário Duda Lima, que coordenou a campanha de Jair Bolsonaro em 2022, assumiu o lugar de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer. Durante o período em que esteve à frente da estratégia de Flávio, a dupla apostou em vender um perfil mais moderado do senador. A avaliação dentro do partido é que Duda tem maior trânsito entre o núcleo político e bolsonarista da campanha e pode aproximar novamente Flávio da identidade construída pelo pai. A estratégia de reforçar a associação entre Flávio e
Centrão trava alianças de Flávio, que aposta em base bolsonarista
“Se bater na mulher, não precisa votar em mim”, dispara Lula
O presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Divulgação/PT Lula faz discurso forte e afirma que quer uma sociedade com mais respeito às mulheres Brasília (DF) – Durante seu discurso o lançamento de sua candidatura de reeleição à Presidência da Replúbica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez críticas aos casos de violências contra as mulheres. O presidente rechaçou o apoio vido de agressores e que não tem problema em perder alguns votos deste grupo: “Ou ele vota em mim ou ele bate na mulher”. “O PT [Partido dos Trabalhadores] tem que ter coragem, o meu governo tem que ter coragem de dizer em alto e bom som. Não tem problema que eu perca algum voto, mas não é necessário e não é possível. O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. Pega a sua mão e vota em quem você quiser”, disse. Lula admitiu que o Brasil ainda não chegou ao patamar indicado para diminuir os casos de violência contra as mulheres, mas que veê processos nas medidas que o governo tomou. Deus “Eu duvido que tenha alguém no Brasil que tenha feito o que nós fizemos. Fizemos tudo? Não. Lógico que não dá para fazer tudo, mas a gente vai caminhando. Deus levou sete dias para fazer o mundo e ainda não acabou, porque só vai acabar no dia em que a gente acabar com gente ruim no mundo, sobretudo com a violência de homem contra a mulher nesse país”, completou Lula. Esta é a sétima vez que o petista disputa pela vaga no Planalto e, caso ganhe, será seu quarto mandato. Em 2018, chegou a se candidatar, mas o pedido foi indeferido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Lula terá como aliados em sua coligação os partidos PCdoB, PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, além do PSOL, Rede, PSB e PDT, parte da base de apoio à corrida eleitoral. Assim como na última eleição, a chapa terá Geraldo Alckmin como candidato a vice. O nome foi oficializado em convenção do PSB realizada em Brasília na última quarta-feira. A oficialização da candidatura do petista ocorre em meio às investigações do filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, por suposto tráfico de influência. A apuração envolveria contratos do Ministério da Saúde para fornecimento de tratamentos com cannabis medicinal.
Flávio não entende do assunto, afirma Caiado ao disputar eleitorado do agronegócio
Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República pelo PSD Foto: Taba Benedicto/ Estadão Ao falar sobre a disputa presidencial, o ex-governador afirmou que sua prioridade é ultrapassar Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno. Durante a entrevista, Caiado associou o desenvolvimento econômico de regiões agrícolas ao fortalecimento da produção rural. Como exemplo, mencionou áreas de expansão da fronteira agrícola, como o Matopiba, além dos Estados de Goiás e Mato Grosso, argumentando que esses locais apresentam melhores indicadores de renda, educação e qualidade de vida em razão do crescimento do agronegócio. Caiado também criticou os governos do PT por, segundo ele, enfraquecerem políticas estruturantes voltadas ao campo, como a Embrapa. Afirmou que os produtores enfrentam dificuldades em razão do cenário econômico. “O agronegócio não aguenta produzir com essa taxa de juros”, declarou. Questionado sobre o fato de seu discurso ainda não se refletir em maior apoio eleitoral entre produtores rurais, Caiado respondeu que acredita que sua base ainda não se mobilizou. “Meu eleitorado do agro ainda não acordou”, afirmou. Ele também atribuiu a vantagem de Flávio Bolsonaro à estrutura política construída pelo PL ao longo dos últimos anos e lembrou que somente recentemente passou a contar com o apoio do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Ao falar sobre a disputa presidencial, o ex-governador afirmou que sua prioridade é ultrapassar Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno. Segundo Caiado, uma eventual presença do candidato do PL na etapa decisiva seria favorável ao presidente Lula. “Flávio no segundo turno seria o peru de Natal que Lula deseja enfrentar”, disse, acrescentando que o adversário chegaria à fase final da eleição “tendo que ficar se explicando” sobre denúncias. Caiado também questionou a experiência administrativa do rival. “Não se aprende a governar na Presidência da República”, afirmou, ao defender que sua passagem pelo governo de Goiás o credencia para administrar o país. Sobre os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, Caiado afirmou que pretende conceder “anistia ampla, geral e irrestrita” logo no primeiro dia de um eventual mandato presidencial. Ao abordar o combate ao crime organizado, declarou ainda que “quem usa uma estrutura de proteção para praticar crime é mais bandido ainda” e defendeu que não há distinção entre criminosos “de direita” ou “de esquerda”.
Professores da rede estadual recebem progressão na carreira
Progressão na carreira contempla 1.997 professores da rede estadual – Fotos: Seduc / Governo de Goiás Benefício é concedido de forma automática a cada dois anos e contempla 1.997 profissionais com acréscimo de salário, conforme legislação estadual O Governo de Goiás, por meio da Secretaria da Educação (Seduc), concede progressão com ascensão na carreira e acréscimo de salário a 1.997 professores da rede pública estadual. O benefício é atribuído com base nos critérios estabelecidos pelo artigo 76 da Lei Estadual nº 13.909, de 25 de setembro de 2001, com redação dada pela Lei Estadual nº 23.068, de 11 de novembro de 2024, que regulamenta o plano de carreira dos profissionais da educação estadual. A progressão funcional dos ocupantes do cargo de professor da rede estadual de ensino ocorre de forma automática a cada dois anos de efetivo exercício, para fins de evolução na carreira. Os professores contemplados são dos cargos Classe III e Classe IV. O impacto na folha de pagamento da Educação, neste mês de agosto, será em torno de R$ 432 mil. Dentro do plano de carreira do Magistério, com a progressão, os professores contemplados passam a receber um acréscimo de 2% nos seus vencimentos. Nas progressões divulgadas na sexta-feira (31/7), por meio da Portaria Seduc nº4850, publicada no suplemento do Diário Oficial de Goiás, os professores também mudam de nível dentro da carreira. Novos servidores Em agosto, começa a efetivação dos professores convocados no concurso público de 2022 para o cargo de Professor Classe III. Foram 225 aprovados no certame, que tiveram seus nomes divulgados no Diário Oficial do dia 2 de julho deste ano. Com esta etapa, o número de convocados ultrapassa cinco mil, contemplando as 40 Coordenações Regionais de Educação (CREs). Os convocados receberão as orientações por e-mail e deverão realizar o peticionamento eletrônico da documentação exigida diretamente na plataforma do SEI Goiás. Algumas etapas permanecem presenciais, como a perícia médica, a validação do diploma de curso superior e o preenchimento dos formulários de acumulação de cargos, conforme previsto no edital. Em caso de dúvidas, os candidatos podem entrar em contato pelos telefones (62) 3220-9592 e (62) 98102-9391 (WhatsApp) ou com a Coordenação de Apoio Técnico pelo número (62) 3220-9586.
WhatsApp bloqueia contas de usuários e gera onda de reclamações na web
Getty Images Usuários reclamam nas redes sociais nesta segunda-feira (3/8) e afirmam não conseguir acessar as suas contas do WhatsApp Usuários do WhatsApp relataram, nesta segunda-feira (3/8), que tiveram suas contas do aplicativo de mensagens bloqueadas. No X, antigo Twitter, internautas afirmam que foram surpreendidos com uma mensagem falando sobre o bloqueio. “Esta conta não pode mais usar o WhatsApp. As conversas ainda estão neste dispositivo”, diz a mensagem recebida por usuários, que ainda dá a opção de enviar a decisão do aplicativo para análise. No X, usuários demonstram revolta com a decisão e questionam o motivo do banimento. “O WhatsApp suspendeu minha conta porque estou conversando com muitos números não salvos na minha lista de contatos?”, disse uma pessoa. “Meu WhatsApp pessoal foi banido do nada, sem qualquer motivo plausível, e eu tenho que esperar horas ou até dias para eles analisarem”, afirmou outra. Nota Em nota, o porta-voz da Meta disse: “Trabalhamos continuamente para estar à frente daqueles que tentam fazer uso indevido do nosso serviço e banimos contas para ajudar a proteger os demais usuários. Eventualmente, podemos cometer equívocos e, quando isso acontece, buscamos resolver a situação o mais rápido possível para que as pessoas possam voltar a se comunicar”.
O senador Irajá Abreu desiste da reeleição
Foto / Imagem: Divulgação As eleições no Tocantins a cada instante tem um cenário diferente O senador da República Iraja Abreu (PSD-TO) – conforme nota abaixo do seu partido o PSD – dsistiu da sua reeleição ao Senado Federal. O site oknews em contado não consegiu ouvir o senador Irajá Abreu e/ou a sua assessoria. Veja e leia a nota abaixo: Nota A Assessoria de Imprensa do PSD Tocantins lamenta, mas respeita a decisão do senador Irajá de desistir da construção de sua candidatura ao Senado. Desde o início das conversas para formar a coligação, Irajá sempre foi um dos nomes do grupo para disputar uma vaga ao Senado, e este posicionamento segue mantido. Com a saída de Mauro Carlesse da disputa, a outra vaga passou a ser ocupada por Paulo Mourão (PT) dentro do entendimento firmado entre os partidos da aliança. O PSD também esclarece que não houve discussão por parte do diretório nacional e nem do estadual, a inclusão de qualquer outro nome para representar o partido na disputa ao Senado. As decisões do PSD são tomadas por meio do diálogo e do entendimento amplo e democrático entre os partidos. Por isso, não é correto transferir para outros a responsabilidade por um processo que foi construído de forma coletiva e harmônica. O PSD Tocantins segue com as portas abertas ao diálogo, respeitando os acordos firmados e trabalhando pela união do grupo em torno do projeto que considera o melhor para o Tocantins.
Avião cai no Lago Corumbá, dizem bombeiros
Corpo de Bombeiros atua em queda de avião no Lago Corumbá, em Caldas Novas — Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros Segundo o Corpo de Bombeiros, duas pessoas estavam a bordo e foram resgatadas. Após a queda, a aeronave afundou no lago Um avião anfíbio caiu no Lago Corumbá, em Caldas Novas, (Goiás) nesta segunda-feira (3/8), segundo o Corpo de Bombeiros. Dois homens de 25 e 33 anos estavam a bordo e foram resgatados. Após a queda, a aeronave afundou no lago. De acordo com o tenente Fábio Carneiro Mesquita, os ocupantes não apresentavam ferimentos aparentes. Um deles, no entanto, apresentava sinais de hipotermia e foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Caldas Novas. Após o resgate das vítimas, uma equipe de mergulhadores localizou a aeronave submersa e realizou a retirada do avião de pequeno porte do lago. A reportagem entrou em contato com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) para conseguir mais informações sobre o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Eleição no Brasil em 2026 será influenciada por pressões externas
De Lula a Trump e Xi: a geopolítica na corrida presidencial de 2026 – Foto: Instagram “A eleição de 2026 não representa apenas uma disputa entre candidatos ou programas de governo. Ela também envolve diferentes concepções sobre o lugar do Brasil na ordem internacional”, afirma um especialista As eleições presidenciais no Brasil, agendadas para outubro de 2026, transcendem a tradicional disputa entre candidatos e propostas de governo. No contexto da corrida ao Palácio do Planalto, o país enfrenta uma crescente pressão internacional, envolvendo interesses econômicos, diplomáticos e geopolíticos. O processo eleitoral deixou de ser apenas um tema interno, tornando-se parte da disputa entre grandes potências e blocos internacionais. Nos últimos meses, o Brasil tem enfrentado uma série de eventos que ilustram essa mudança. Sanções Os Estados Unidos da América (EUA) ampliaram sanções comerciais contra produtos brasileiros, intensificaram críticas às instituições nacionais e demonstraram proximidade política com o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. Paralelamente, a China reforçou sua parceria econômica e diplomática com Brasília, enquanto a União Europeia acelerou a implementação do acordo comercial com o Mercosul. Em países vizinhos, governos alinhados ao presidente norte-americano Donald Trump, como Argentina e Paraguai, também passaram a protagonizar conflitos com o Palácio do Planalto. Especialistas consultados pelo Metrópoles acreditam que, pela primeira vez, a política externa tende a ser central no debate eleitoral brasileiro. “A eleição brasileira de 2026 ocorre em um contexto muito diferente dos pleitos anteriores. Pela primeira vez desde a redemocratização, a disputa presidencial está profundamente inserida em uma competição geopolítica global”, afirma o professor de Geografia Humana da UERJ, Vitor de Pieri. De acordo com ele, o Brasil deixou de ser apenas um observador das transformações internacionais para ocupar uma posição estratégica na disputa entre Estados Unidos, China e outros centros de poder. “Essa pressão externa não deve ser vista necessariamente como uma tentativa explícita de interferência eleitoral, mas como a intensificação de esforços para influenciar decisões estratégicas do futuro governo.” O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou, na quinta-feira (30/7), seu receio de que o governo de Donald Trump tente interferir nas eleições presidenciais deste ano. “Eles vão tentar interferir aqui. Vão tentar ajudar o lado de lá a ganhar as eleições”, afirmou. Lula mencionou ter uma boa “relação pessoal” com Trump, mas acredita que o presidente norte-americano prefere uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL). O petista também destacou a influência do secretário de Estado, Marco Rubio, na Casa Branca, com quem teve desentendimentos recentemente. O principal foco das tensões vem da relação entre os governos de Lula e Trump. Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, os dois países têm acumulado embates diplomáticos e comerciais. O governo norte-americano elevou tarifas sobre produtos brasileiros, iniciou investigações comerciais contra o Pix e classificou as facções brasileiras PCC e CV como grupos terroristas. A escalada coincidiu com a aproximação entre Trump e Flávio Bolsonaro. O presidente norte-americano declarou apoio público ao senador e o recebeu na Casa Branca no período em que anunciava novas medidas contra o governo brasileiro. Bastidores Nos bastidores, a tensão também atingiu o campo eleitoral. Reportagem do The Washington Post revelou que dois representantes do governo norte-americano planejavam viajar ao Brasil para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro antes do pleito. A viagem foi frustrada após o Itamaraty negar os vistos diplomáticos. O episódio gerou reação inclusive dentro dos Estados Unidos. Integrantes democratas do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano acusaram o governo Trump de disseminar teorias conspiratórias sobre as eleições brasileiras. Em nota conjunta, os parlamentares afirmaram que levantar dúvidas infundadas sobre processos eleitorais “mina a confiança na democracia” e prejudica aliados internacionais dos Estados Unidos. Enquanto enfrenta embates com Washington, o governo brasileiro também vive uma sequência de desgastes diplomáticos com países vizinhos alinhados politicamente a Trump. Nesta semana, o Paraguai convocou o embaixador brasileiro em Assunção após declarações de Lula sobre a Guerra do Paraguai. Crises O governo paraguaio classificou as falas como ofensivas e o Congresso local aprovou uma manifestação de repúdio contra o presidente brasileiro. Dias antes, a Argentina havia provocado outra crise diplomática. Durante a convenção do Partido Liberal (PL), em São Paulo, o presidente Javier Milei participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro e fez ataques a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos e chamou de volta, para consultas, o embaixador brasileiro em Buenos Aires. Para analistas, a aproximação entre governos conservadores da América do Sul e o movimento liderado por Trump reduz o isolamento internacional da oposição brasileira e cria novas formas de articulação política além das fronteiras nacionais. Se os EUA representam o principal vetor de pressão, China e União Europeia aparecem como polos de apoio da política externa brasileira. Após as sanções comerciais impostas por Washington, Pequim ampliou a compra de produtos brasileiros, credenciou empresas nacionais para exportação de café e aprofundou acordos nas áreas de inteligência artificial, infraestrutura, minerais críticos e integração financeira. No campo diplomático, o presidente Xi Jinping reiterou apoio à soberania brasileira durante conversa com Lula e reforçou o papel do Brasil como parceiro estratégico do BRICS. Já a União Europeia avançou na implementação provisória do acordo comercial com o Mercosul, apesar de resistências de alguns países europeus. O tratado abre novos mercados para produtos brasileiros, mas também estabelece mecanismos de salvaguarda que permitem restrições caso normas ambientais ou sanitárias sejam consideradas incompatíveis. Na prática, o futuro governo brasileiro terá de administrar interesses muitas vezes conflitantes entre Washington, Bruxelas e Pequim. Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Clayton Pegoraro, tentativas de influência estrangeira sempre existiram, mas ganharam novas ferramentas na era digital. “Isso pode acontecer por meio das redes sociais, de taxações comerciais, de revogação de vistos. Sempre haverá forças políticas e geopolíticas tentando influenciar outros países. Do ponto de vista do Direito Internacional, isso pode ser ilegítimo, mas faz parte da dinâmica das grandes potências”, afirma. Avaliação Na avaliação do especialista, entretanto,
Congresso estende recesso pelas eleições e retoma votações em 10 de agosto
Deputados adiam retorno aos trabalhos e priorizam campanhas eleitorais – Crédito: Minervino Júnior/CB/D.A.Press Os parlamentares farão duas semanas de esforço concentrado de votação antes do início do período eleitoral O Congresso Nacional adiou o fim do recesso parlamentar devido ao período de convenções partidárias, que acaba nesta quarta-feira (05/08). Na prática, o descanso terminaria dia primeiro e agôsto (1/8), mas os parlamentares só voltam aos trabalhos no dia 10 de agosto. Em ano de eleição, a atividade no Congresso costuma diminuir, já que os parlamentares concentram esforços nas campanhas em suas bases eleitorais. Nas duas Casas, acontecerá um esforço concentrado de votação de projetos antes das eleições, em outubro. Calendário O calendário prevê sessões na semana de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro. O objetivo é aprovar matérias menos polêmicas e de consenso entre os parlamentares. Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) a prioridade é a votação do PL que prevê a criminalização da misoginia. O projeto enfrenta resistência de grupos conservadores e religiosos. Outra pauta é a atualização do Microempreendedor Individual (MEI), para aumentar o limite anual de faturamento. Já no Senado, as atividades serão pontuais, como algumas reuniões da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania (CDH) e audiências públicas. Apesar de ser um dos maiores projetos e uma bandeira do governo Lula, a PEC que acaba com escala 6×1 está travada pelo presidente Davi Alcolumbre (União-AP).
Saúde Estadual alerta para prevenção da dengue e chikungunya durante período de estiagem
Eliminação de recipientes que acumulam água é a principal medida para prevenir a proliferação do Aedes aegypti – Foto: Marco Monteiro Calor intenso, baixa umidade e chuvas irregulares aceleram o ciclo de desenvolvimento do Aedes aegypti e mantêm o risco de transmissão das doenças em Goiás O período de estiagem em Goiás exige atenção redobrada da população para a prevenção da dengue, chikungunya e zika. Com a atuação do fenômeno El Niño em 2026, a previsão de temperaturas acima da média, baixa umidade do ar e chuvas irregulares favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Diante desse cenário, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) alerta para a necessidade da eliminação dos criadouros como principal medida para evitar o avanço das arboviroses, já que o mosquito continua encontrando condições favoráveis para se reproduzir durante a seca. “O El Niño traz um cenário de estiagem prolongada e temperaturas mais elevadas, o que acelera o ciclo de vida do mosquito. Se antes ele levava de sete a dez dias para chegar à fase adulta, com o calor esse período pode cair para cinco a sete dias. Por isso, mesmo durante a seca, não podemos relaxar os cuidados”, explica a superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da SES, Cristina Laval. Até julho deste ano, Goiás registrou 147.084 casos notificados de dengue, dos quais 96.174 foram confirmados. O Estado contabiliza ainda 75 óbitos confirmados e 37 em investigação. Em relação à chikungunya, foram registrados 13.243 casos notificados, sendo 11.128 confirmados, além de quatro mortes confirmadas e seis em investigação. Óbitos No mesmo período de 2025, Goiás contabilizava 164.536 notificações de dengue, com 101.415 casos confirmados, 122 óbitos confirmados e nove em investigação. Já a chikungunya registrava 3.463 casos notificados e 2.034 confirmações. A comparação demonstra uma redução dos casos de dengue e, ao mesmo tempo, um crescimento expressivo da circulação da chikungunya em 2026. Já os casos de Zika, em 2025, alcançaram 310 casos notificados, dos quais 21 foram confirmados. Em 2026, até o momento, foram registrados 394 casos suspeitos, com 2 confirmações. Não houve registro de óbitos relacionados à doença nesse período. “Os criadouros continuam existindo dentro das residências. Vasos de plantas, ralos, vasos sanitários em desuso e recipientes que armazenam água permanecem sendo locais ideais para a reprodução do mosquito. Muitas famílias também armazenam água durante a estiagem, e esses reservatórios precisam permanecer sempre vedados”, reforça Cristina Laval. A vacina contra a dengue está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para adolescentes de 10 a 14 anos, conforme definição do Programa Nacional de Imunizações. No entanto, a vacinação é uma estratégia complementar. A principal forma de prevenção continua sendo a eliminação de qualquer recipiente que possa acumular água, impedindo a reprodução do mosquito. Entre as medidas a serem adotadas pela população estão inspeções frequentes em suas residências, mantendo caixas d’água fechadas, eliminando recipientes que acumulam água, limpando calhas e ralos e descartando corretamente pneus, garrafas e outros objetos que possam servir de criadouro para o Aedes aegypti. A manutenção desses cuidados é fundamental para reduzir a circulação do mosquito e evitar novos casos da doença.














