Bruno Peres/Agência Brasil Em entrevista ao Washington Post, ministro disse que a relação do Brasil com os Estados Unidos foi envenenada por “falsas narrativas” O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou que ” não há a menor chance de recuar um milímetro sequer” em suas decisões sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), mesmo com a pressão do governo dos Estados Unidos. A declaração ocorreu em entrevista ao Washington Post, publicada nesta segunda-feira (18/8). “Não existe a menor possibilidade de recuar nem um milímetro” , disse o magistrado. “Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas, e quem tiver que ser condenado, será condenado; quem tiver que ser absolvido, será absolvido” , prosseguiu. Moraes é o ministro-relator do inquérito que apura a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já denunciou ao menos 34 pessoas – entre elas, o ex-presidente Bolsonaro e aliados, cujos julgamentos estão marcados para o começo de setembro. “Entendo que para a cultura norte-americana é difícil compreender a fragilidade da democracia, porque nunca houve um golpe de Estado lá [nos Estados Unidos]. Porém, o Brasil teve vinte anos de ditadura sob Getúlio Vargas, outros vinte de ditadura militar e inúmeras tentativas de golpe. Quando você é repetidamente atacado por uma doença, você desenvolve anticorpos e busca uma vacina preventiva”, disse o magistrado. Questionado se teria poder demais, Moraes rebateu dizendo que seus colegas do Supremo já revisaram mais de 700 decisões suas após recursos. “Você sabe quantas eu perdi? Nenhuma”, disse o ministro à reportagem, que o descreve como um “xerife da democracia”. Pressão dos EUA Moraes afirmou não se deixar intimidar pelas diversas formas de pressão dos Estados Unidos sobre suas decisões, incluindo a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, justificada pela suposta ‘caça às bruxas’ do Judiciário contra Bolsonaro. Na visão do magistrado, “falsas narrativas” envenenaram a relação entre os dois países, mas a tensão será temporária. “Essas falsas narrativas acabaram envenenando a relação [Brasil-EUA] – falsas narrativas baseadas em desinformação espalhada por essas pessoas nas redes sociais. Então, o que precisamos fazer e o que o Brasil tem feito, é esclarecer as coisas”, afirmou. Ele também comentou as sanções impostas a ele pelos Estados Unidos com base na Lei Magnistky, que permite punir estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. “É prazeroso passar por isso? Claro que não”, disse o ministro. No entanto, frisou que “enquanto houver necessidade, a investigação continuará”.
Moraes diz que “não há a menor chance” de recuar sobre Bolsonaro
Vicentinho Júnior lança pedra fundamental em Campo Alegre e anuncia quase R$ 1,5 milhão para Paranã
Assessoria parlamentar / Palmas – Tocantins ” Quem tem mandato no Tocantins tem que trabalhar pelo povo. Nossa pressa é sempre de fazer bem feito. Essa UBS será uma obra bonita, necessária e fundamental para garantir saúde de qualidade. Tenho obrigação com Paranã e, junto com o prefeito, vamos entregar grandes realizações”, afirmou Vicentinho Júnior O deputado federal Vicentinho Júnior (PP) participou, sábado (16/8) do lançamento da pedra fundamental da Unidade Básica de Saúde (UBS) Jari Benevides, no distrito de Campo Alegre, município de Paranã. Ao lado do prefeito Fábio da Farmácia, da primeira-dama e secretária de Saúde, Déborah Bessa, e de vereadores, o parlamentar ajudou a assentar os primeiros tijolos da obra, que já começa a ser construída. Somente para a área da saúde já foram destinados mais de R$ 2 milhões em Paranã, incluindo os recursos para a construção da UBS. Além disso, o deputado anunciou e entregou o ofício com novos investimentos em outras áreas, como a aquisição de um caminhão basculante e a construção de uma praça, que juntos somam quase R$ 1,5 milhão. No total, desde o início do seu mandato como deputado federal, Vicentinho Júnior já destinou R$ 14.993.638,00 ao município. Durante o evento, que teve início com bênçãos religiosas, o parlamentar destacou seu compromisso com a cidade. “É uma alegria sair da Romaria do Senhor do Bonfim e estar aqui hoje. Quem tem mandato no Tocantins tem que trabalhar pelo povo. Nossa pressa é sempre de fazer bem feito. Essa UBS será uma obra bonita, necessária e fundamental para garantir saúde de qualidade. Tenho obrigação com Paranã e, junto com o prefeito, vamos entregar grandes realizações”, afirmou. Vicentinho ainda lembrou de outras obras já viabilizadas por suas emendas para o município, como a pavimentação das BR-242 e BR-010, que passam por Paranã. O prefeito Fábio da Farmácia ressaltou a importância dessa parceria. “Essa obra só é possível porque temos deputados parceiros. Vicentinho já destinou mais de dois milhões em recursos só no meu mandato, e isso mostra compromisso e amizade. Política se faz com trabalho e lealdade, e esse é um momento de felicidade para todo o povo de Campo Alegre”, destacou. A secretária de Saúde, Déborah Bessa, também agradeceu ao parlamentar. “Nosso povoado precisava muito dessa UBS. Pedimos ao deputado e ele nos atendeu prontamente. Essa é uma obra que vai melhorar a vida da população e também as condições de trabalho dos profissionais de saúde. Em um ano estaremos aqui novamente, inaugurando essa conquista”, disse. O evento contou ainda com a presença dos vereadores Roxo do Campo Alegre, Guilherme Pimentel, Conrado Ferreira, Ardely Teles e Carlinhos do Bom Jesus.
Tempo seco exige cuidados essenciais com a pele
Foto: Iron Braz e Freepik Dermatologista do HDT alerta para os riscos do ressecamento e dá dicas para manter a saúde da pele durante o período de baixa umidade Com a umidade relativa do ar em níveis críticos em Goiás — em alguns dias atingindo apenas 10%, quando o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 60% —, os impactos vão muito além do desconforto respiratório. O ressecamento da pele é uma das consequências mais comuns e pode agravar doenças dermatológicas pré-existentes. A dermatologista do Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), unidade do Governo de Goiás gerida pelo Instituto Sócrates Guanaes (ISG), Nayana Aveiro, explica que a baixa umidade reduz a quantidade de água nas camadas superficiais da pele, prejudicando sua barreira protetora. “A pele fica áspera, descamando, às vezes com coceira, e há risco de agravamento de condições como dermatite atópica, dermatite de contato e psoríase”, ressalta. Entre os problemas mais frequentes neste período estão o prurido (coceira) inespecífico, rachaduras nos lábios e fissuras em pés e mãos. Para prevenir esses sintomas, a médica orienta manter hábitos simples, mas essenciais. “O ideal é beber mais água, evitar banhos quentes e demorados, preferir sabonetes suaves, hidratar a pele logo após o banho e usar roupas leves para reduzir o atrito”, detalha. O uso de hidratantes deve ser diário, pelo menos uma vez ao dia no corpo todo, e repetido em áreas mais ressecadas. Produtos mais consistentes, sem fragrância, são preferíveis por apresentarem menor risco de irritação. “A ureia é uma boa opção para áreas de pele íntegra ou mais espessa. Fórmulas que combinam ureia, ceramidas, lactatos ou ácido hialurônico garantem excelente hidratação”, recomenda Nayana. A especialista lembra que a pele do rosto e do corpo têm necessidades diferentes. “O corpo, geralmente, exige produtos mais densos. Já a face se beneficia de loções oil free ou géis aquosos, ideais para peles oleosas ou acneicas”, explica. Lábios e áreas sensíveis, como ao redor dos olhos, precisam de produtos específicos e hidratação frequente. Outro alerta é para o uso prolongado de ar-condicionado ou ventiladores, que reduzem ainda mais a umidade do ar. Nestes casos, a médica sugere intensificar o uso de hidratantes e, sempre que possível, associar umidificadores. Crianças e idosos requerem atenção especial. A pele infantil é mais sensível e suscetível à irritação, enquanto a dos idosos, naturalmente mais seca, pode precisar de hidratantes mais potentes.
À CNN, Zema diz que Brics é uma “colcha de retalhos”
CNN O governador de Minas Gerais e agora pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou à CNN, neste sábado (16/8), que o Brics “é uma colcha de retalhos”. “O Brics é uma colcha de retalhos, é um Frankstein. Analisa quem compunha o Brics inicialmente. Esses países estão próximos, geograficamente, do Brasil? Não estão. Quem tem ido para os Brics são regimes autoritários, em sua maioria, e inimigos dos Estados Unidos”, disse Zema após se lançar como pré-candidato nesta manhã. “O Brics parece que virou um bloco muito mais de criar um protagonismo contra a Europa, contra o Ocidente, do que propriamente dar resultados completos”, continuou. Para o governador, “o Brasil tem boas relações diplomáticas, mas o governo está jogando tudo fora fazendo essas declarações e ações, totalmente inadequadas”. Zema lançou sua pré-candidatura à Presidência da República para as eleições de 2026 durante um evento em São Paulo. Coro Em seu discurso, ele fez coro para que o Brasil saia do Brics. “O Brasil caminha hoje na direção de outra crise econômica porque está crescendo a base de anabolizantes. A visão petista de que gasto é vida é uma idiotice sem tamanho, assim como a aproximação do Brasil de regimes autoritários e de nações que se opõem aos nossos valores ocidentais. Sai do Brics, Brasil”, exclamou. Brics e os EUA. Após anunciar o tarifaço sobre os produtos brasileiros em julho, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, disse que “acabaria rapidamente” com o grupo se tentassem ameaçar a soberania do dólar. A criação de uma moeda própria para o comércio entre o Brics, ou seja, a substituição do dólar, é uma discussão antiga entre os membros do grupo. A ação já foi defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de não estar no centro dos debates da Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro, entre 6 e 7 de julho. Sobre as tarifas, Zema disse à CNN que “um erro não justifica o outro, se Trump queria punir, que ele punisse quem estivesse criando o problema e não a nação”. Atualmente, o grupo abarca onze países membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos Etiópia, Indonésia e o Irã.
“Diaba Loira”: traficante morta após trocar de facção
Reprodução Procurada pela polícia, mulher ostentava armas nas redes sociais Eweline Passos Rodrigues, conhecida como “Diaba Loira”, foi morta durante um confronto entre traficantes no Morro do Fubá, zona norte do Rio de Janeiro, na noite de quinta-feira (14/8). Procurada pela polícia por envolvimento com tráfico e organização criminosa, Eweline tinha três mandados de prisão em aberto, com uma condenação definitiva de 5 anos e 10 meses de prisão em regime fechado. A “Diaba Loira” tinha mais de 70 mil seguidores em um dos perfis e era conhecida nas redes sociais por ostentar armas e falar sobre a vida do crime. Uma postagem explicando o motivo de ter trocado de facção — do Comando Vermelho (CV) para o T erceiro Comando Puro (TCP) — viralizou. Quem era a Diaba Loira? Aos 28 anos, Eweline ficou conhecida em 2022 quando sobreviveu a uma tentativa de feminicídio, em que seu ex-companheiro chegou a perfurar seu pulmão. Natural de Santa Catarina, a jovem de 28 anos fugiu para o Rio de Janeiro e se associou ao CV. Em 2023, trocou tiros com a Polícia Militar em um confronto na Gardênia Azul, zona oeste carioca, segundo confirmações feitas por ela mesma nas redes sociais. Após o rompimento com a facção e a nova associação ao TCP, a “Diaba Loira” se tornou alvo de ameaças do CV. Nas redes sociais, passou a mostrar a rotina como traficante e postava mensagens e símbolos ligados à organização criminosa comandada por “Coelhão”, no Complexo da Serrinha. Ela chegou a fazer uma tatuagem, cobrindo as costas inteira, com referências à traficantes do TCP. Em uma de suas postagens, respondendo às constantes ameaças, disse: “Não me entrego viva, só saio no caixão”. A “Diaba Loira” foi encontrada morta por volta das 23h40 de quinta-feira (14/8). Ela teria sido executada após ser encontrada por traficantes do Comando Vermelho, em um confronto entre as facções. Imagens do corpo de Eweline, com sinais de tortura, circularam nas redes sociais sexta-feira (15/8).
Dirceu diz que PT vive momento histórico e alerta para agressões dos EUA à soberania brasileira
Brasil 247 “O Brasil é uma potência. É um dos maiores países do mundo e um dos mais ricos, com soberania alimentar e energética. Isso incomoda principalmente os EUA”, disse José Dirceu Em entrevista ao canal Focus Brasil, o ex-ministro José Dirceu avaliou o recente encontro nacional do PT como um marco histórico para o partido e para a política brasileira. Segundo ele, o evento refletiu unidade em torno de uma agenda voltada à defesa da democracia e da soberania, em um cenário de crescente pressão externa. “Esse encontro será conhecido como histórico pelo momento político em que foi realizado, diante da agressão à nossa soberania e democracia pela administração Trump”, afirmou. Dirceu destacou a relevância da reforma tributária em curso, ressaltando que ela representa mais do que uma simples reestruturação fiscal. “Isso traz à tona a consciência da imensa maioria dos brasileiros de que o Brasil precisa de uma revolução social, que começa pela revolução tributária”, disse. Para ele, a mudança corrige distorções de um sistema que historicamente onerou mais a massa salarial do que a renda e o patrimônio. O ex-ministro relembrou o período de perseguição política entre 2013 e 2019, marcado pelo golpe de Estado contra a presidente Dilma Rousseff e pela prisão injusta do presidente Lula. “Nós nunca podemos esquecer isso. Chegou um momento em que não podíamos sair às ruas com nossos símbolos, e quase caçaram o registro do nosso partido”, declarou. Ele ressaltou a importância da resistência, que culminou no movimento “Lula Livre” e na vitória da frente ampla em 2022. Dirceu também abordou a posição estratégica do Brasil no cenário internacional. “O Brasil é uma potência. É um dos maiores países do mundo e um dos mais ricos, com soberania alimentar e energética. Isso incomoda principalmente os Estados Unidos”, disse. Ele criticou duramente a postura de Washington, afirmando que o país “já não é mais uma democracia, mas uma plutocracia caminhando para um regime autoritário pelas mãos do Trump”. Sobre os recentes atos de violência no Congresso, Dirceu foi categórico: “Temos que ter consciência de que eles são golpistas e usam da violência e do ódio. Aquilo foi uma tentativa de impedir o funcionamento do parlamento, o que é crime constitucional”. Ele lembrou ainda do “plano punhal verde-amarelo”, que previa o assassinato de Lula, Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. Religião e política Questionado sobre a relação entre religião e política, especialmente em um contexto de crescente influência evangélica, Dirceu defendeu a manutenção do Estado laico. “O PT não deve misturar religião com política. O problema não é a fé, mas a pauta conservadora e reacionária de certos setores. O Brasil é uma nação cristã, mas milhões de brasileiros não são cristãos. Não podemos aceitar teocracia”, afirmou. Para Dirceu, o desafio do PT é ampliar alianças e enfrentar a ofensiva externa. Ele defendeu reformas estruturais e o fortalecimento da frente ampla. “Nunca houve uma situação política tão favorável como essa para nós. Precisamos de mudanças radicais no partido e de uma coesão em defesa da soberania, da democracia e dos direitos sociais”, concluiu José Dirceu.
Bolsonaro está ‘triste, preocupado e magoado’, diz aliado do ex-presidente
Evaristo Sa/AFP Bolsonaro: em casa, sem redes sociais e com visitas controladas Em prisão domiciliar há duas semanas, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro está cada vez mais abatido. “Há uma mistura de sentimentos, o presidente Bolsonaro está triste, preocupado e magoado”, diz um aliado que o visitou, mas que preferiu falar sob reserva. Uma das maiores preocupações do presidente é com a própria saúde. Hoje ele foi novamente ao hospital em Brasília para fazer exames. “Ele não para de soluçar, fica dias soluçando e está fazendo um tratamento”, diz este aliado. Bolsonaro também mostra-se magoado em não conseguiu levar à frente a votação na Câmara dos Deputados do projeto que anistiaria os envolvidos no episódio do 8 de Janeiro, quando vândalos depredaram as sedes do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-presidente da República deve se encontrar nos próximos dias com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e durante a conversa pretende reforçar o pedido para aprovar o projeto da anistia. Durante a eleição de Motta, Bolsonaro tinha dado apoio ao paraibano em troca de colocar o projeto em votação. O ex-presidente da República também foi proibido de utilizar suas redes sociais. Bolsonaro tem ao todo 68 milhões de seguidores em suas cinco principais redes, Instagram, X, Facebook, Youtube e Tik Tok. As últimas mensagens postadas por Bolsonaro nas redes sociais são de 27 de julho. Prisão domiciliar deixou o presidente ainda mais tristeUma das maiores mágoas do presidente, no entanto, é com a prisão. Ele passa os dias vendo televisão, andando no quintal e jogando baralho com a mulher, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Na rua onde o casal mora, em um condomínio em Brasília (DF) só passam poucos moradores de carro. Esta semana, o presidente recebeu mais uma notícia ruim. O Supremo Tribunal Federal marcou data (início 2 de setembro) das sessões do julgamento por golpe de Estado. Em meio a este tormento pessoal, o ex-presidente ainda tem recebido pressão de governadores candidatos às eleições presidenciais do ano que vem – 2026 – que disputam o recall eleitoral de Jair Bolsonaro.
Reeducandos contribuem para revitalização de espaços públicos em Goiás
Fotos: PPGO Em 2024, quase 5 mil reeducandos do sistema prisional goiano exerciam algum tipo de trabalho; iniciativa visa à ressocialização e reintegração na sociedade, além de possibilitar remissão da pena Considerada modelo na gestão penitenciária do Brasil, a Polícia Penal de Goiás (PPGO) desenvolve um trabalho que vai além das suas competências fundamentais, ao disponibilizar para prefeituras e outras instituições públicas e privadas a mão de obra das pessoas privadas de liberdade. Em dezembro de 2024, 4.918 reeducandos exerciam alguma atividade laboral. Outros 2.330 foram matriculados em cursos profissionalizantes ao longo do ano. “Hoje, temos privados de liberdade exercendo atividades de limpeza de praças, ruas e avenidas, pintura de prédios e outros equipamentos públicos, construção de delegacias para a Polícia Civil, reformas de batalhões da Polícia Militar, dos Bombeiros. Temos apenados atuando nas mais diversas frentes, com ganhos para todas as partes”, explica o diretor-geral da Polícia Penal de Goiás, Josimar Pires. “Se por um lado as instituições recebem mão de obra qualificada, com total segurança, por outro os presos têm a oportunidade de mostrar que estão prontos para retornar ao convívio em sociedade”, emenda o gerente de Produção Agropecuária e Industrial da PPGO, Paulo Sérgio Silva Santos. A cada 3 dias trabalhados, o preso tem direito a 1 dia remido. Os exemplos dessas frentes de trabalho são inúmeros. Ano passado, por exemplo, a mão de obra carcerária atuou nas revitalizações do Autódromo Internacional de Goiânia Ayrton Senna, do Estádio Serra Dourada e do Parque Agropecuário da capital, dentre outros espaços. Somente na revitalização do autódromo, em parceria com a Secretaria de Esporte e Lazer (Seel), 35 custodiados trabalharam na manutenção e pintura da praça esportiva. Revitalização de espaços públicos Diversas cidades goianas iniciaram 2025 com frentes de trabalho organizadas pela Polícia Penal com mão de obra carcerária. Somente em Goiânia, no mês de janeiro, 200 reeducandos do Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel participam do primeiro mutirão de serviços urbanos da Prefeitura de Goiânia. Os custodiados trabalham na limpeza de bairros da região Noroeste durante três dias. Os reeducandos eram dos regimes fechado e semiaberto e já executavam atividades laborais dentro do Complexo Prisional. Eles foram vigiados por aproximadamente 110 policiais penais e trabalharam em quatro frentes na região, a partir do bairro Morada do Sol, liderados por servidores da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). Executaram atividades rotineiras de limpeza urbana, como recolhimento de lixo e auxílio na poda de árvores, e foram elogiados pelos moradores. Em Aparecida de Goiânia, 80 reeducandos participaram de uma força-tarefa de limpeza e roçagem de áreas públicas e privadas da cidade. O trabalho de zeladoria percorreu a região do Pontal Sul durante uma semana. A força-tarefa teve escolta de 40 policiais penais e o suporte de oito fiscais da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SDU). Entre os serviços realizados estavam roçagem, remoção de entulhos, e limpeza de tapa-buracos. “Nosso objetivo é trazer um bem-estar para a população, por meio da limpeza urbana, e aprimorar a reintegração social dos apenados, que, com toda certeza, voltarão ao convívio da sociedade recuperados”, resume o diretor-geral da PPGO, Josimar Pires.
Folha separa Bolsonaro e Eduardo, como se fossem de facções diferentes
Folha “Para 35%, culpa do tarifaço é de Lula; 22% acham que é de Bolsonaro, e 17%, de Eduardo, diz Datafolha” Essa é a manchete calhorda da Folha, sobre a mais recente pesquisa do Datafolha a respeito dos ataques de Trump ao Brasil, que até o grupo Globo classifica como chantagens: “Para 35%, culpa do tarifaço é de Lula; 22% acham que é de Bolsonaro, e 17%, de Eduardo, diz Datafolha”. Sobre a mesma pesquisa, essa é a manchete também meio calhorda do Globo, mesmo que faça a conta certa: “Datafolha: 35% acham que culpa do tarifaço é de Lula; para 39%, responsabilidade é da família Bolsonaro”. Por que meio calhorda? Porque é óbvio, não só sob o ponto de vista da mais elementar regra do jornalismo, que a manchete deveria estar focada na responsabilização do pai e do filho, que têm 39% de citações. Lula, com 35%, virou manchete por quê? Porque o número da família, como informa o Globo, é o mais alto, mas vira informação secundária? Mas o UOL, do mesmo grupo Folha, faz a formulação correta: “39% culpam família Bolsonaro por tarifaço; 35% responsabilizam Lula”. No caso da manchete da Folha, nem precisa explicar. Se Bolsonaro e o filho somam 39%, como dar separados os índices de cada um, como se fossem membros de facções diferentes? E o que significa a culpa que aparece como resultado da pesquisa, que o próprio jornal informa assim no texto que segue? “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é visto como o principal culpado pela sobretaxa aplicada ao Brasil por 35% dos entrevistados”. Culpado como? Culpado em que sentido? Por que Lula seria culpado? O que as pessoas entendem de uma pergunta sobre culpa? Culpado por ter provocado a crise? Culpado por ser visto como inimigo do neofascismo americano? Por ter reagido? Um religioso, que lida com o sentimento bíblico da culpa, poderia explicar melhor. O que nos consola é que não foi preciso aparecer um jornal de esquerda para desmontar a farsa da formulação da manchete da Folha. O Globo destruiu a manchete dos colegas, ao somar os 22% que põem a culpa em Bolsonaro com os 17% que culpam Eduardo. Com um detalhe: a Folha informa, no mesmo texto, o seguinte sobre pai e filho: “Juntos, somam 39%”. Faz a soma que o Globo fez, mas esconde e não dá em manchete. Estudantes de matemática de segunda série sabem que, se o Datafolha oferece duas opções à direita (Bolsonaro e o filho), as escolhas serão divididas e diluídas entre eles. Se há fracionamento, dificilmente um deles teria maioria. Mais um detalhe: com todas as informações centradas no protagonismo de Eduardo, como o sujeito que conspira contra seu próprio país, é surpreendente que ele tenha apenas 17% de “culpa”. O que reafirma que a grande maioria tem percepção precária sobre o que está acontecendo. Tanto que Alexandre de Moraes, com 15% de culpa, quase compete com Eduardo. A pesquisa sobre o tarifaço, divulgada em 4 de agosto, quando 57% condenavam a medida de Trump, dá uma pista: somando quem se diz mais ou menos informado, mal informado ou que não tomou conhecimento do assunto ou não sabe opinar, o índice chega a 68%. Os que se consideram bem informados são apenas 32%. O Datafolha ouviu mais de dois terços de eleitores que sabem pouco ou não sabem nada sobre o que estão opinando. E aí a pergunta é acionada de novo: para que servem essas pesquisas?
Indiretamente, Michelle Bolsonaro chama o nordestino de burro
Foto: Agência Brasil/ND “Meus amados, não tem problema você ter votado uma vez no PT, mas votar duas, três já é burrice”, afirmou. “Você precisa se libertar dessa burrice política”, critica Michelle Bolsonaro A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chamou o presidente Lula (PT) de pinguço e cachaceiro, disse que Jair Bolsonaro (PL), inelegível, voltará ao Palácio do Planalto em 2026 e afirmou em agenda no Nordeste que votar mais de uma vez no PT é “burrice política”. A fala se deu durante evento do PL neste sábado (16) em Natal, no Rio Grande do Norte, com figuras do partido como o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. Assim como Michelle, Valdemar também citou os EUA, dizendo que o presidente do país, Donald Trump, “se manifesta todo dia a favor de Jair Bolsonaro”. Os dois repetiram o discurso de que o ex-mandatário brasileiro é perseguido por desafiar o sistema. Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ter entendido que ele descumpriu medida cautelar que o proibia de usar as redes sociais. O ex-presidente também é réu na corte sob acusação de ter liderado uma tentativa de golpe em 2022. Se condenado, pode pegar mais de 40 anos de prisão e aumentar seu período de inelegibilidade, que atualmente vai até 2030 em razão de duas condenações na Justiça Eleitoral. Ele foi considerado culpado por abuso de poder político e econômico por reunião com diplomatas estrangeiros convocada para divulgar suspeitas infundadas sobre o sistema eleitoral e pelo uso político de eventos do feriado da Independência, em 7 de setembro de 2022. No evento em Natal, a ex-primeira-dama afirmou que “dói a alma” de Bolsonaro não poder sair de casa, mas que ele vai voltar e se eleger presidente em 2026. “Ele está dentro de casa, mas está lá igual siri na lata para voltar a trabalhar, viajar e vencer as eleições 2026”, afirmou. Segundo pesquisa Datafolha divulgada há duas semanas, Michelle tem a maior intenção de voto entre os nomes da família Bolsonaro cotados para uma eventual disputa contra Lula em 2026. Ela tem 24% dos votos, contra 39% do petista. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) marcaria 18%, contra 40% de Lula. Contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o petista venceria por 39% a 20%. Morando nos EUA, Eduardo tem atuado junto a integrantes do governo Trump por sanções ao Brasil como forma de pressionar o Judiciário às vésperas do julgamento de seu pai. Ainda assim, no evento em Natal, Michelle culpou Lula pelo tarifaço imposto pelo republicano, dizendo que a ação ocorreu por inabilidade do petista, problemas na diplomacia e pelo fato de o país caminhar rumo ao que ela chama de ditadura. “Não tem como levar a sério um líder de uma nação de mais de 213 milhões de habitantes ironizar, criticar uma potência como é os Estados Unidos da América (EUA). Uma diplomacia nanica, irresponsável. Foi oferecer jabuticaba para o Trump, agora nós estamos colhendo abacaxis”, falou, em referência a Lula. “Fica provocando para que a gente receba sanções, para a culpa ficar na nossa família [Bolsonaro]. Sabe o que acontece quando você faz isso? Sanção são [sic] para países que estão prestes a perder a sua liberdade. Sanção vem para países ditadores e, para misericórdia de Deus, ainda não somos por conta do trabalho, por conta da força, da resistência de cada um de vocês que estão aqui que não se amedrontam e vão para as ruas exigir liberdade, anistia para aqueles que estão presos”, afirmou. No evento, Michelle também disse que continuar votando no PT é “burrice política”. O Nordeste é a região brasileira que tradicionalmente mais apoia o presidente Lula, fazendo oposição ao Sul, onde o político sofre maior rejeição. “Meus amados, não tem problema você ter votado uma vez no PT, mas votar duas, três já é burrice”, afirmou. “Você precisa se libertar dessa burrice política”. Michelle convocou os participantes do evento a participarem do 7 de setembro na Paulista, em São Paulo, e falou que a internet tem papel importante para a direita, justificando a discussão recente sobre regular as redes sociais como forma de prejudicar o campo político. Ela criticou Lula, fez referência a novas regras para o BPC (Benefício de Prestação Continuada) previstas no ajuste fiscal do governo petista e fez referência a fala do político sobre a seca no Nordeste, acusando-o sem evidência de ter deixado o Nordeste sem água de propósito. “O homem que corta o BPC [benefício de prestação continuada], um homem que tira a comida do prato, um homem que, por maldade, para o fornecimento de água para dizer ‘Deus é tão bom que deixou o povo do Nordeste sem água para me trazer como salvador para trazer água para o povo’. Maldito. Pensamento maligno”, afirmou a ex-primeira-dama. “Se autointitula o pai da pobreza e está trazendo as pessoas para a miséria. Nós não vamos mais aceitar essas falácias. Mentirosos. Cachaceiro. Pinguço. Irresponsável. É isso que ele é. Mas não tem problema, porque a lei da semeadura é para todos”, acrescentou. O discurso de Michelle teve o tradicional contorno religioso, com falas sobre o papel da mulher e oposição do bem contra o mal, combate ao que seria o comunismo no país e o “modus operandi dessa esquerda maldita”. Valdemar Costa Neto reforçou a ideia de perseguição a Bolsonaro. “Estamos passando a situação que vocês estão vendo em Brasília, que é algo que nunca aconteceu na face terrestre, de perseguir um cidadão como perseguem o Bolsonaro. Mas essa história vai mudar porque hoje nós temos o presidente dos Estados Unidos que se manifesta todo dia a favor do Jair Bolsonaro”. Ele afirmou que o PL se prepara para eleger um número recorde de deputados e senadores, além do presidente, em 2026.














