Malu Navalha é capturada pela polícia em Lagoa da Confusão – Foto: Instagram
A ação foi executada pela Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado de Paraíso do Tocantins
Maria Luiza da Silva Araújo Lopes, conhecida como “Malu Navalha”, foi capturada no domingo (13/9) em Lagoa da Confusão, no Tocantins, após três dias foragida. Ela tinha um mandado de prisão preventiva em aberto e é apontada como integrante violenta de uma quadrilha de agiotagem que ameaçava de morte devedores que atrasassem o pagamento de empréstimos clandestinos. A ação foi executada pela Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado de Paraíso do Tocantins. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 10 milhões em seis meses. Maria Luiza atuava diretamente na cobrança de dívidas, impondo juros de até 20% ao mês e pressionando principalmente feirantes e pequenos comerciantes. As investigações apontam que ela acompanhava as vítimas pessoalmente, usando intimidações e ameaças para forçar o pagamento imediato das parcelas em atraso. Em áudios obtidos pela polícia, Malu Navalha xinga os devedores e chega a afirmar que atiraria no rosto de uma mulher que não quitou as prestações. Em outra gravação, a suspeita relata que ficou acampada em frente à residência de uma credora até receber o valor devido, anunciando que montaria uma barraca na porta do imóvel para impedir qualquer tentativa de fuga.
Prisão
A prisão faz parte de uma operação que investiga uma extensa rede de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro com ramificações no Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins. Segundo as apurações, o grupo utilizava contas bancárias de laranjas e empresas de fachada para disfarçar a origem ilícita dos recursos, que eram repassados a casas de câmbio e até a plataformas de cassino online. Além das cobranças violentas, a quadrilha também forjava documentos para ocultar bens móveis e imóveis adquiridos com o dinheiro dos empréstimos ilegais. O aprofundamento do caso teve início após a morte de um feirante de 68 anos, em março de 2025. Familiares relataram que o comerciante sofria forte pressão financeira e ameaças contínuas dos agiotas. Mesmo depois do falecimento, os suspeitos continuaram a exigir o pagamento da dívida da filha da vítima, o que ampliou o número de denúncias contra o grupo. A Justiça expediu 12 mandados de prisão preventiva e determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em bens e contas atribuídos aos investigados. Maria Luiza foi encaminhada à central de flagrantes de Paraíso do Tocantins e aguarda transferência para o presídio estadual. As autoridades seguem rastreando o fluxo de recursos, identificando novas vítimas e definindo as responsabilidades de cada membro na organização criminosa.




