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Adélio Bispo mantém silêncio em nova avaliação psiquiátrica na PF de Campo Grande
Adélio Bispo, condenado pelo atentado a faca contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018, recusou-se a responder aos questionamentos de uma equipe multiprofissional que conduzia uma nova avaliação de saúde mental na Penitenciária Federal de Campo Grande, em junho. Diante do silêncio do detento, os profissionais passaram a registrar apenas observações comportamentais, sem obter as respostas verbais necessárias para análise clínica. A equipe esteve na unidade prisional de Mato Grosso do Sul no dia 11 de junho para verificar o estado de saúde mental do detento. Conforme apurado pela coluna Manoela Alcântara, do Metrópoles, Adélio inicialmente concordou em receber os especialistas, mas, logo no início do atendimento, optou por não interagir. Seu silêncio persistiu durante todo o procedimento, impossibilitando a coleta de informações diretas sobre seu quadro.
Agitação
Mesmo sem respostas verbais, os relatores descreveram um comportamento agitado e exibindo sinais de desorganização motor-comportamental. Uma das psicólogas que participou do atendimento sugeriu quadro compatível com psicose afetiva, que envolve alterações na percepção da realidade, delírios e alucinações. Em documentos paralelos, um enfermeiro e outra psicóloga registraram suspeita de esquizofrenia e de psicoses orgânicas, enquanto a assistente social também assinalou indícios de esquizofrenia, ressaltando características inéditas em registros anteriores. Adélio Bispo já possui diagnóstico oficial de esquizofrenia paranoide, divulgado por colunas especializadas. Profissionais destacam a necessidade de uma nova avaliação biopsicossocial para avaliar a evolução do quadro e ajustar as estratégias de cuidado. Esse tipo de avaliação considera aspectos biológicos, psicológicos e sociais, orientando a revisão do Projeto Terapêutico Singular — instrumento que define ações individualizadas de tratamento e acompanhamento. Embora responsável por ferir severamente Jair Bolsonaro em 2018, Adélio foi considerado inimputável pela Justiça devido ao seu estado psiquiátrico.
Pena
Em vez de cumprir pena convencional, ele está submetido a uma medida de segurança, aplicada quando se reconhece que o réu não tem plena capacidade de responder criminalmente. Até o momento, não há previsão de liberação ou de transferência para outra modalidade de cumprimento de medida de segurança. Desde o ato contra o ex-presidente, o diagnóstico de Adélio evoluiu. Inicialmente, em 2018, ele foi apontado com transtorno delirante persistente de caráter paranoide. Em avaliações mais recentes, realizadas no início deste ano, peritos detectaram piora significativa: episódios frequentes de alucinação, forte comprometimento da percepção da realidade e ausência de insight sobre sua condição. O laudo final destaca redução acentuada da capacidade de interpretação da realidade como fator central na análise dos peritos.





