Servidora do SLU pediu desculpas após publicar ataques a beneficiários do Bolsa Família e declarações xenofóbicas contra pessoas nascidas na Bahia – Foto: Instagram
” Mas quero que vocês sofram tudo o que merecem. Eu sou foda e sempre serei. O meu está garantido. E você, que depende de Bolsa Família e acha que ganhar R$ 5 mil é muito dinheiro, sofra”, desabafou a emprsária Fabiana Ribeiro Guimarães
A empresária e servidora comissionada Fabiana Ribeiro Guimarães publicou ataques a beneficiários do Bolsa Família e ofensas xenofóbicas contra pessoas nascidas na Bahia, além de manifestações políticas agressivas nas redes sociais. Sócia investidora minoritária de uma loja de grife no Lago Sul em Brasília (DF) ela levou a marca de vestuário a se posicionar publicamente. Diante da repercussão negativa e do vínculo com a empresária, a LAGO publicou uma nota oficial em que repudiou veementemente o episódio e se distanciou das declarações. A empresa esclareceu que Fabiana não participa da gestão da marca e que suas falas são de caráter estritamente pessoal, sem representar o posicionamento da loja ou de seus fundadores. Também reafirmou o compromisso institucional de rejeitar qualquer forma de preconceito, discriminação ou desrespeito às diferenças.
Polêmica
A polêmica que levou a loja a se manifestar começou quando Fabiana Guimarães, servidora comissionada em cargo de direção na Diretoria de Tecnologia e Inovação do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU), usou as redes sociais em tom provocativo para atacar apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e menosprezar cidadãos que dependem de auxílios governamentais. Ela recebe vencimentos mensais em torno de R$ 15 mil.
Suspeita de incompatibilidade
“Serei sempre a patricinha, empresária e trabalhadora que será contra o PT. Vocês não me representam! Estou pronta para perder seguidores, porque, graças a Deus, não trabalho com isso. Mas quero que vocês sofram tudo o que merecem. Eu sou foda e sempre serei. O meu está garantido. E você, que depende de Bolsa Família e acha que ganhar R$ 5 mil é muito dinheiro, sofra. Porque é isso que você merece”, declarou a servidora em seus stories. Além da reação da empresa privada e do repúdio público, o caso passou a ter implicações jurídicas e administrativas no Governo do Distrito Federal (GDF). A atuação simultânea de Fabiana pode configurar conflito de interesses, já que ela ocupa cargo de direção em um órgão público e, ao mesmo tempo, integra a sociedade de uma empresa privada. Especialistas e analistas avaliam que a situação contraria os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência, previstos para a Administração Pública no art. 37 da Constituição Federal. Também há fortes indícios de incompatibilidade de carga horária, pois o cargo em comissão exige dedicação integral, compromisso possivelmente prejudicado pela atividade empresarial da servidora. Em tese, as condutas violam a Lei Distrital nº 4.990/2012 (Código de Ética do Servidor Público do DF) e a Lei Federal nº 12.813/2013 (Lei de Conflito de Interesses), que proíbem atos capazes de comprometer a imparcialidade e a ética no serviço público.
Desculpas
Em nota, o SLU afirmou que as manifestações foram publicadas no perfil pessoal da servidora e em contexto particular, e destacou que elas não representam a posição institucional da autarquia nem do GDF. O órgão também ressaltou seu “compromisso com o respeito, a diversidade e a convivência harmoniosa entre as pessoas”. Após a reação negativa, a perda de apoio e a repercussão nos âmbitos público e privado, Fabiana se manifestou em suas redes sociais fechadas. Em uma publicação vista apenas por seus 1.375 seguidores, a empresária e servidora comissionada pediu desculpas pelos ataques a beneficiários do Bolsa Família e pelas declarações xenofóbicas contra pessoas nascidas na Bahia. No comunicado restrito, ela escreveu: “No último dia 25, fiz manifestações nas redes sociais que magoaram pessoas e geraram repercussão. Por isso, venho publicamente reconhecer meu erro e pedir desculpas. Naquele momento, acabei me expressando de maneira impulsiva, com palavras que não refletem os valores que sempre orientaram minha vida”. “Essa circunstância contextualiza o ocorrido, mas não justifica minhas declarações. Lamento sinceramente ter ofendido ou desrespeitado pessoas com minhas palavras e reconheço que fiz julgamentos precipitados e injustos. Fui criada com princípios de respeito e consideração ao próximo, independente de sua condição social ou posição política. Lamento não ter agido de acordo com esses ensinamentos. Assumo a responsabilidade pelo que publiquei e reafirmo meu compromisso de agir com mais equilíbrio e respeito”, concluiu.
Deputado do PT pede providências
O deputado distrital Gabriel Magno (PT) enviou ofícios à Polícia Civil (PCDF), ao Ministério Público (MPDFT) e ao SLU, cobrando providências sobre o caso envolvendo a servidora. Nos documentos encaminhados à PCDF e ao MP, o parlamentar declarou que “as manifestações extrapolam os limites da liberdade de expressão, configurando, em tese, crimes de racismo, xenofobia e apologia ao extermínio” e pediu que o caso seja apurado, com a realização de “todas as diligências necessárias à plena elucidação dos fatos”. No ofício enviado ao SLU, Gabriel Magno afirmou que “a conduta da servidora é inaceitável” e destacou que, “enquanto integrante da cúpula do SLU, espera-se da diretora uma postura republicana, tanto em atividades públicas e privadas”. O deputado distrital também solicitou o afastamento imediato da servidora de suas funções e a abertura de procedimento disciplinar para apurar o caso.
SLU se manifesta
Em uma nova nota, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) informou que encaminhou o caso à Unidade de Auditoria Interna para avaliação preliminar, diante dos fatos noticiados. “A medida visa verificar a existência de elementos que justifiquem providências administrativas, resguardando a integridade institucional, os deveres éticos e a imagem da Administração Pública”, declarou o órgão.





