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Nogueira ordenou à uma funcionária que a lista com “nomes” de deputados” fosse queimada
A PF (Polícia Federal) encontrou uma lista com “nomes” de deputados e anotações que seriam “provavelmente” valores entre documentos localizados na churrasqueira da casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília. O material foi encontrado durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em maio deste ano, na 5ª fase da Operação Compliance Zero, que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal). O relatório da diligência foi tornado público na sexta-feira (11/9), após o ministro André Mendonça ampliar a retirada de sigilo de processos relacionados ao caso Master. Uma funcionária da casa, segundo a PF, disse que os papéis encontrados na churrasqueira haviam sido entregues por Nogueira para que fossem queimados, sob a justificativa de que se tratavam de “documentos antigos”. Ela afirmou ainda que não chegou a queimar o material por “ausência de tempo hábil”. O relatório não informa quando o senador teria dado a orientação. “Na churrasqueira da residência, foram localizados documentos que, segundo a funcionária Débora, haviam sido entregues pelo investigado para serem queimados, sob a justificativa de serem ‘antigos ou sem serventia'”, escreveram os investigadores.
Entre os papéis, os policiais encontraram um rascunho com a palavra “CAMARA”, seguida por nomes e números:
Arthur, 40;
Hugo, 10;
Elmar, 10;
Luizinho, 10;
Adolfo, 10;
Isnaldo, 5;
Diego, 5;
Altineu, 5;
Netinho, 5.
A PF associou parte dessas anotações aos deputados Arthur Lira (PP-AL), Hugo Motta (Republicanos-PB), Elmar Nascimento (União-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ), Adolfo Viana (PSDB-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). “Ressalte-se que, ao lado de cada nome, há números e, em seguida, valores (provavelmente), o que carece de esclarecimento”, escreveu a equipe responsável pela busca. A CNN procurou os citados. Em nota, a assessoria do deputado federal Arthur Lira informou que ele desconhece as anotações mencionadas e não pode se manifestar sobre o registro.
“Sinais de riqueza aparente”
Durante a busca, a PF também apreendeu dinheiro em moeda estrangeira, relógios, veículos e aparelhos eletrônicos. No escritório do senador, foram encontrados US$ 27.735, € 1.555 e 890 liras turcas. Os valores foram encaminhados à Caixa Econômica Federal para custódia. Em um cofre no quarto de Nogueira, os agentes apreenderam um pendrive, três relógios aparentemente da marca Rolex, um relógio aparentemente da Patek Philippe e um crucifixo dourado. Os relógios e a joia foram enviados para perícia, que deve identificar características, origem e valor de mercado dos itens. Também foram apreendidos uma BMW 440i e uma motocicleta Honda CB1000R. O relatório registra ainda a presença de bebidas alcoólicas de alto valor, como vinhos importados e uísques, além de bolsas de grife encontradas em diferentes cômodos da casa.
A PF afirma que o cumprimento do mandado permitiu confirmar “sinais de riqueza aparente” do Ciro Nogueira:
“O cumprimento do mandado de busca e apreensão decorreu sem mais eventos dignos de nota, e, a partir dele, foi possível confirmar os sinais de riqueza aparente do investigado, além de achados passíveis de aprofundamento (a exemplo do manuscrito encontrado na churrasqueira, contendo nomes de parlamentares acompanhados de valores e das malas etiquetadas com nomes de terceiros)”, diz.




