Nove anos após apreensão em Goiânia, avião caiu em uma fazenda de Água Boa (MT) e deixou três mortos — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Avião que caiu e matou três tinha sido apreendido com gêmeos espanhóis e cocaína escondida até na asa há 9 anos
O avião que caiu em uma fazenda de Água Boa, em Mato Grosso, e deixou três pessoas mortas nesta quinta-feira (10/9) já havia sido apreendido pela Polícia Federal (PF) em Goiânia, há nove anos, em uma investigação de tráfico internacional de drogas. Na época, dois irmãos gêmeos espanhóis foram presos e mais de 60 kg de cocaína foram encontrados escondidos na aeronave, inclusive na asa. Segundo as investigações atuais, o avião envolvido no acidente é o mesmo apreendido em 2017. A aeronave havia ficado durante anos em um hangar de um aeródromo às margens da GO-070, passou por tentativa de leilão e, segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, teria sido adquirida por um novo proprietário há cerca de quatro meses. Na manhã de quinta-feira, três pessoas teriam embarcado na aeronave em Goiânia e decolado sem autorização. O destino ainda é desconhecido. O avião caiu em uma propriedade rural a cerca de 20 km da área urbana de Água Boa e foi destruído pelo fogo. Os três ocupantes morreram. Segundo a Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec), os três ocupantes eram homens. Os destroços ficaram concentrados em um único ponto, o que, segundo a perícia, indica que o avião caiu de forma vertical. Não foram encontrados indícios de tentativa de pouso forçado.
Cocaína escondida no avião
A história da aeronave com a polícia começou em 2017. Na época, a Polícia Federal passou a investigar um hangar em um aeródromo às margens da GO-070, em Goiânia, depois de receber uma denúncia anônima.

Avião foi apreendido pela Polícia Federal em Goiânia, em 2017, durante investigação de tráfico de drogas — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Durante a apuração, dois irmãos gêmeos espanhóis foram encontrados no local e presos. A PF encontrou cocaína escondida no avião. Parte da droga estava no assoalho, mas uma nova vistoria revelou que havia entorpecentes também escondidos na asa da aeronave. Ao todo, segundo as informações divulgadas na época, eram mais de 60 kg de cocaína. Os irmãos negaram ser donos da droga e disseram aos investigadores que não sabiam que havia cocaína escondida no avião. Eles foram levados para a sede da Polícia Federal, e a aeronave permaneceu apreendida. Na época, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que o avião tinha autorização para entrar no Brasil. A última autorização de voo havia sido expedida em 26 de outubro de 2017, com um plano de voo para Goiânia.
Avião foi levado a leilão
Depois da apreensão, o avião permaneceu durante anos ligado ao processo judicial. Em 2020, segundo um especialista ouvido pela TV Anhanguera, a aeronave chegou a ser colocada em leilão, mas não houve arrematantes.

Sem plano de voo, avião saiu de Goiânia (GO) e caiu em Água Boa (MT) — Foto: Reprodução
Em dezembro de 2023, a aeronave, avaliada em R$ 180 mil, voltou a ser levada a leilão eletrônico como parte do processo relacionado à apreensão de bens em investigação de tráfico de drogas. Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, os levantamentos feitos após o acidente indicam que o avião teria sido adquirido por um novo proprietário há cerca de quatro meses e permanecia em um hangar de Goiânia. A polícia informou ainda que a aeronave estava sem condições de voo.
Decolagem de Goiânia e queda em MT
Na manhã de quinta-feira, por volta das 8 horas, o novo proprietário e outras duas pessoas teriam embarcado no avião e partido de Goiânia, segundo a Polícia Civil de Mato Grosso. A investigação aponta que a decolagem ocorreu sem autorização das autoridades.O destino do grupo ainda não foi esclarecido. O avião não tinha plano de voo registrado e caiu em uma fazenda de Água Boa. As chamas destruíram a aeronave e os bombeiros encontraram os três ocupantes mortos. A área foi isolada para os trabalhos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e da Polícia Civil. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também foi comunicado para participar dos trabalhos relacionados à investigação do acidente.
Matrícula também é investigada
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é a identificação usada pelo avião. Quando foi apreendido em 2017, ele possuía matrícula norte-americana. Segundo a Polícia Civil, a aeronave que caiu em Mato Grosso apresentava uma identificação como se tivesse registro brasileiro. Um especialista em aviação ouvido pela TV Anhanguera afirmou que essa matrícula brasileira não correspondia a uma aeronave registrada e que o avião não estava em condições aeronavegáveis. A Polícia Civil também apura as circunstâncias em que a aeronave voltou a voar. Apesar do histórico de apreensão por tráfico de drogas, a polícia ressaltou que, até o momento, não há indícios de que os três ocupantes transportassem drogas no voo que terminou no acidente. As identidades das três vítimas ainda não haviam sido divulgadas até a última atualização da reportagem.




