VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Presidenciável do PSD deu declaração após o vice dizer que partidos do Centrão estão alinhados à reeleição do petista
O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmou sábado (15/8) que não apoiará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, caso esteja fora da disputa. A manifestação veio depois de declarações do candidato a vice na chapa e presidente do PSB, Gilberto Kassab, de que partidos do Centrão estão, na prática, alinhados à reeleição do petista. “Eu tenho quatro décadas de vida pública e nunca precisei explicar de que lado estou. Fui um dos articuladores do impeachment do PT. Presidi a UDR. Defendo a anistia. Entreguei Goiás com a maior queda de homicídios do país e sem dívida. Em 1989 eu disputei a Presidência contra Lula. Em 1994 e em 1998, quando ele voltou a disputar, eu estava do outro lado. Em 2002, quando o PT chegou ao poder, houve gente do campo que hoje me cobra fidelidade que declarou publicamente voto em Lula. Eu não. Em 2006, oposição. Em 2010, oposição. Em 2014, oposição. Em 2016, fui um dos articuladores do impeachment do PT. Em 2018, estive do lado que tirou o PT da disputa. Em 2022, fiz campanha contra a volta dele. E em 2026 eu sou candidato para tirar o PT do poder outra vez. São trinta e sete anos, dez eleições presidenciais e um impeachment. Nunca houve um ano em que eu estivesse do outro lado, nem quando isso custava caro, nem quando não rendia um voto sequer. Então deixo claro, para não restar dúvida a ninguém: em nenhuma hipótese, em nenhum cenário, em nenhum turno, eu estarei ao lado de Lula ou do PT. Não há acordo, não há negociação, não há segundo turno em que isso aconteça. Minha candidatura existe para tirar o PT do poder e para dar ao brasileiro uma opção que entrega resultado, não briga. É isso que eu vim fazer, encerrou Caiado. Em publicação no X, Caiado ressaltou o histórico de oposição ao PT e disse que sua candidatura tem como objetivo retirar o partido do Palácio do Planalto. O ex-governador de Goiás afirmou que não haverá acordo ou negociação que resulte em apoio ao petista. “Em nenhuma hipótese, em nenhum cenário, em nenhum turno, eu estarei ao lado de Lula ou do PT”, escreveu Caiado.
Declaração
A declaração se deu dois dias depois de Kassab participar de um encontro com empresários em São Paulo. Na ocasião, o presidente nacional do PSD afirmou que os partidos do Centrão não estão neutros na eleição e declarou que as legendas estão com Lula. “Caiado não é a terceira via, é a alternativa”, sugeriu o cacique. No mesmo evento, Kassab afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) tem chance “zero” de vencer a eleição. Na avaliação do dirigente, o candidato ainda é preservado pelo PT e tende a perder apoio quando a campanha petista passar a explorar seu histórico político e o de aliados. Caiado tenta ocupar um espaço fora da polarização entre Lula e Flávio. Na convenção que oficializou a candidatura do PSD, em julho, o ex-governador direcionou críticas aos dois principais adversários e apresentou a chapa com Kassab como uma alternativa para a disputa presidencial. A candidatura, porém, ainda aparece distante dos dois líderes nas pesquisas. Na Quaest divulgada nessa sexta-feira (14/8), Lula tem 38% das intenções de voto, Flávio aparece com 31% e Caiado registra 4%. Em uma simulação de segundo turno entre o petista e o candidato do PSD, Lula marca 44%, contra 37% de Caiado.





