Madrasta (esq) e pai Igor Gustavo Veloso de Souza (dir) — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Os pais do menino não moravam juntos e mantinham disputas judiciais. Um vídeo gravado no fim de semana em que ocorreu a morte mostra Gustavo Veloso se recusando a ir para a casa do pai
Palmas / Tocantins – A Polícia Civil protocolou na Justiça, nesta quarta-feira (5/8), o pedido de prisão preventiva do advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa e da companheira dele, Kathellen Moreira. Os dois são pai e madrasta de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, encontrado morto na casa do casal na última segunda-feira (3/8), na região norte de Palmas – capital do Tocantins. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o pai da criança procurou a 1ª Central de Atendimento da Polícia Civil durante a tarde do dia 3 para comunicar a morte. Conforme o relato dele, o menino foi encontrado sem vida na residência pela manhã, mas, devido ao abalo emocional, só conseguiu procurar a polícia horas depois. No entanto, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Gustavo Veloso Feitosa morreu após sofrer múltiplas agressões e violência sexual. O pedido de prisão preventiva do casal foi protocolado na Justiça do Tocantins pelo delegado Eduardo Menezes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na tarde desta quarta-feira.
Investigação
O inquérito que investiga o caso foi instaurado na terça-feira (4/8). A informação foi apurada pela reportagem da TV Anhanguera. O g1 procurou a Secretaria da Segurança Pública (SSP), mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa e Kathellen Moreira informou à reportagem da TV Anhanguera que ainda não irá se manifestar porque não teve acesso aos autos. Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que suspendeu temporariamente a cautelar do advogado. Os pais do menino não moravam juntos e mantinham disputas judiciais. Um vídeo gravado no fim de semana em que ocorreu a morte mostra Gustavo se recusando a ir para a casa do pai. Nas imagens, ao ser questionado pela mãe sobre o motivo de não querer visitá-lo, a criança responde: “Porque ele me bate”. Advogados de Sabrina da Silva Feitosa, mãe do menino, informaram à TV Anhanguera que ela não poderia privar a criança da convivência com o pai para não caracterizar alienação parental. Ela movia uma ação na Justiça cobrando o pagamento de pensão. “Ela já havia me reportado diversas situações em que a criança chegava machucada das visitas. No entanto, o medo e o temor dela pela própria vida e pela vida do filho, da família, em relação a ele, em virtude das ameaças, impedia ela de nos permitir que tomássemos providências mais drásticas em relação a isso no momento”, disse a advogada Stella Bueno.
Gustavo foi velado e sepultado na terça-feira sob forte comoção. Familiares e amigos cobraram esclarecimentos sobre o caso. “Eu quero justiça pelo meu filho”, declarou a mãe.
Íntegra da nota da OAB
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OABTO) informa que, por decisão da Diretoria, do Conselho Seccional e do Presidente do Tribunal de Ética e Disciplina (TED), foi aplicada medida institucional de suspensão cautelar ao advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, nos termos do Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei nº 8.906/94). A medida possui natureza cautelar e permanecerá vigente até instauração e análise do respectivo procedimento disciplinar no TED, assegurados ao representado o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal. A OAB Tocantins reafirma seu compromisso com os princípios históricos que regem o exercício da profissão e a atuação da OAB.
Gedeon Pitaluga Júnior
Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins
Fábio Alves Fernandes
Presidente do Tribunal de Ética e Disciplina





