Endrick ao lado da técnica Marília Rocha — Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Marília Rocha contou que decidiu custear a permanência do atacante em uma escolinha de futebol em Goiás após identificar o talento dele ainda aos 4 anos
O atacante Endrick Felipe Moreira de Sousa, destaque da Seleção Brasileira e atual camisa 19 da equipe, quase ficou fora de uma escolinha de futebol em Goiás porque a família não tinha condições de pagar uma mensalidade de R$ 20. A revelação foi feita por Marília Rocha, empresária e ex-treinadora do jogador que decidiu ajudar o menino após perceber seu potencial ainda nos primeiros treinos. Em entrevista à TV Anhanguera, Marília contou que conheceu Endrick quando ele tinha apenas 4 anos, na escolinha Gol de Letra, em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Segundo ela, o pai do atleta, Douglas Sousa, insistiu para que o filho tivesse uma oportunidade, mesmo sendo mais novo do que os demais alunos. “Terminou o treino, e o pai veio conversar comigo. Eu falei para ele que o filho dele tinha algo especial. E ele falou: ‘Marília, eu não tenho essa condição de ter meu filho aqui, de comprar material’. E eu falei: ‘não, você não vai precisar’. A partir daquele momento, eu ia adotá-lo”, contou. Após observar o desempenho do garoto, a treinadora disse que percebeu que ele tinha algo diferente. Ela conta que se preocupou por ele ser ainda muito pequeno.

Endrick é destaque da Seleção Brasileira de Futebol — Foto: Reprodução/TV Anhanguera | Instagram de Endrick
“Nessa época, eu não trabalhava com atletas tão novinhos, mas o Douglas levou o Endrick até a minha escola e pediu uma oportunidade. Logo de início, eu pensei: ‘não, ele é muito novo, ele vai chorar’, pelo fato de treinar com os meninos mais velhos”, relembrou. Das cores do Brasil a imagens de Neymar: veja ruas que chamam atenção em Goiás pela decoração para a Copa
‘Ele era destemido’
Segundo Marília, Endrick chamava atenção pela energia e pela personalidade dentro de campo desde os primeiros dias. “Coloquei o Endrick no campo e ele era um espoleta. Ele era muito custoso. Ele não tinha medo, ele era destemido, ele corria o campo inteiro. Eu vi muita garra, muita força, muita energia”, afirmou. A ex-treinadora também lembra que o atacante sempre demonstrou liderança e competitividade. “Ele queria ser o camisa 10, ele queria ser o capitão, era ele que queria bater os pênaltis”, disse.
Mais do que um simples aluno
Com o passar do tempo, a relação entre os dois ultrapassou o ambiente esportivo. Marília afirma que Endrick passou a fazer parte da rotina da família. “O Endrick não foi um simples aluno. Eu não fui só uma treinadora do Endrick. O Endrick teve um convívio dentro da minha casa. Tinha a comida preferida dele, tinha o cantinho dele de guardar as roupas dele”, relatou.
Em busca de oportunidades
À medida que o jogador se destacava nos campeonatos, Marília percebeu que seria necessário buscar desafios maiores para que ele ganhasse visibilidade. Ela firmou uma parceria com uma escolinha em Brasília e passou a levar Endrick para treinar três vezes por semana. “Conversei com o pai dele e expliquei: ‘Olha, o Endrick é um menino diferente, ele precisa de visibilidade, de participar de bons campeonatos e ser visto’. Ele falou para mim: ‘Marília, eu não tenho condições financeiras de levar o meu filho para treinar em outro local’. E eu falei: ‘você não vai se preocupar. A responsabilidade de levar o Endrick, de acompanhar os jogos, qualquer coisa é comigo'”, lembrou. Segundo a ex-técnica, os resultados apareceram rapidamente. Endrick costumava terminar os campeonatos entre os artilheiros, desempenho que passou a chamar a atenção de clubes de todo o país. Hoje, consolidado como uma das principais promessas do futebol brasileiro, o atacante segue carregando consigo a lembrança dos primeiros passos dados nos campos de Goiás.





